Luiza Moura comenta as chuvas que inundaram a capital paraense e provocaram estragos

imagem: reprodução / Prefeitura de Belém / via CNN Brasil
No ano passado, quando fui cobrir a COP30 em Belém, fiquei impressionada com a quantidade de chuva que cai na cidade. A gente sempre ouve falar das chuvas amazônicas, do clima tropical, de como a quantidade de água que tem por lá é impressionante. Mas ver de perto as chuvas que começavam e acabavam do nada, realmente me impressionou.
Os moradores de Belém e de outros lugares da região Norte do Brasil rapidamente percebiam que eu era turista. Era só começar a chover que eu falava “meu deus! mas do nada???”. Eles riam e falavam “moça, você não é daqui não, né?”.
Fato é que Belém é uma cidade de águas. Seja no curso do rio Guamá, que banha a Universidade Federal do Pará, ou nas fortes chuvas que vêm do clima amazônico. Isso, porém, não pode ser desculpa para despreparo climático e falta de políticas públicas que visem proteger a população dos eventos climáticos extremos, que estão se tornando cada vez mais comuns.
No dia 20 de abril, a prefeitura decretou estado de emergência por causa das fortes chuvas que atingem a capital paraense. Os dados apontam que choveu cerca de 150 milímetros em menos de 24 horas, volume classificado como extremo. Foram cerca de vinte e oito horas de chuva ininterrupta.
Os rios que cortam a cidade transbordaram, e ruas alagaram. De acordo com a prefeitura, 44 mil pessoas foram diretamente impactadas, sendo cerca de 13 mil desalojados e desabrigados. Os dados apontam que foi a maior chuva dos últimos dez anos.
É engraçado pensar que estou escrevendo esse texto no dia 22 de abril, o Dia da Terra, que originalmente surgiu para trazer conscientização e reflexões sobre a importância e a necessidade de proteger o Planeta Terra. Em um momento como esse, com a crise climática bastante evidente e cidades como Belém sofrendo suas consequências diretas, me pergunto se o Dia da Terra não se torna ainda mais importante.
Por outro lado, me entristece que a cidade brasileira que recebeu a COP30 e poderia ser exemplo de políticas públicas de adaptação para lidar com eventos extremos esteja passando por esse tipo de situação, com pessoas em risco e estruturas urbanas danificadas.
De longe, eu me preocupo com a cidade que me acolheu, me encantou e cuidou de mim durante dez dias, expandindo meus horizontes e me fazendo ter melhor noção do tamanho da Amazônia e de seus povos.






