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Melhor não fazer planos para morar em Marte

por Thaciana de Sousa Santos

O planeta vermelho tem semelhanças com a Terra, sim, diz colunista, mas, na real, está longe de ser hospitaleiro como este que nos abriga – recomenda-se conservá-lo

 

Acho que todos nós já ouvimos algo sobre morar em Marte, já escutamos discussões sobre se existiria ou já existiu vida lá. Claro que pensamos em vida inteligente, mas qualquer sinal de vida já é mais que suficiente para animar os cientistas.

Começo por contar um pouquinho sobre o sistema solar. Há uma separação, acho que um tanto famosa, dos planetas terrosos e dos gasosos. Para estudá-los utilizamos outras nomenclaturas, como planetas internos e externos, sei, mas internos e externos a quê? O que tem no meio para existir essa separação é um cinturão de asteroides.

Os planetas internos são os terrosos, também chamados de telúricos. Possuem uma superfície sólida, núcleo de ferro e níquel, altas densidades, poucos satélites naturais (luas), presença de crateras e vulcões (menos em Mercúrio) e também, têm tamanhos comparáveis.

Bom, são todos bem parecidos, né? Esses planetas são Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Mercúrio não tem quase nenhuma atmosfera, nem atividade geológica e satélites. O ponto importante em relação a esse planeta é sua superfície extremamente quente ou fria, por ser o planeta mais próximo do Sol e quase sem nenhuma atmosfera.

Em seguida, vem Vênus, muito brilhante, tanto que pode ser visto a olho nu, sempre antes de o Sol nascer ou se pôr. Terra e Vênus são planetas muito parecidos em tamanho, massa, densidade, geologia e atmosfera, mas, nem por isso poderíamos morar lá. Por quê, se são tão iguais? Pressão atmosférica altíssima, cerca de 92 vezes maior do que a da Terra, nos esmagariam. É também mais quente que Mercúrio, por causa do efeito estufa e pelo fato de a sua atmosfera ser composta, predominantemente, por dióxido de carbono. E como se já não bastasse a temperatura de 463 graus Celsius, se chover, chove ácido sulfúrico.

Não sei vocês, mas eu estou muito de boa aqui nesse planeta Terra mesmo, nada de virar churrasquinho e nem de derreter com o ácido em outras paragens.

Agora, pulando a Terra, porque já a conhecemos bem e vivemos nela, tem Marte, lugar que todos nós acreditamos que poderia nos abrigar um dia, caso, sei lá, a Terra não fique mais habitável. É nesses momentos que eu penso: nossa, mas já estragamos a Terra, vamos estragar mais um planeta?

Mas vamos lá. Se alguém for explorar Marte, precisará ficar lá por aproximadamente 2 anos até tentar retornar à Terra com novidades, por causa do seu período orbital ser mais longo que o da Terra. Marte possui duas luas, densidade média, e uma temperatura média de 46 graus Celsius, razoável até, pensando em Mercúrio e Vênus.

Também conhecido como planeta vermelho, Marte tem calotas polares formadas de gelo seco e água. Um dia lá é aproximadamente um dia aqui, e o planeta também desfruta das estações do ano porque seu eixo de inclinação é muito parecido com o da Terra.

Há vulcões por lá também, inclusive o maior (extinto) de todo o sistema solar, e dada a grande quantidade de dióxido de carbono presente na atmosfera, cerca de 96%, e à pequena quantidade de oxigênio molecular, é difícil ter vida em Marte.

O planeta absorve uma grande quantidade de radiação, muito além do recomendável para os seres humanos, mesmo com escudos metálicos de proteção. Para ser habitável, seria preciso controlar os níveis de radiação, produzir energia para driblar as baixas temperaturas e, ainda que seja possível fazer tudo isso, para colonizar um planeta totalmente novo seria necessário aprender e não repetir os maus hábitos que já causaram grandes estragos à Terra.

Acho que antes de querermos desbravar o sistema solar, é necessário cuidar do que temos aqui. A Terra é o nosso lar e não podemos apenas usá-la como se não houvesse amanhã. Um dia a conta chegará, e eu espero que os nossos filhos, netos, bisnetos, e todo o resto que vier depois de nós, tenham um lugar seguro para viver.
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Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

 

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