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Vem aí o El Niño

por | 10 jun 2026

Luiza  Moura comenta a iminência fenômeno climático, que talvez venha mais forte

Foto: wirestock / Magnific

Talvez você já tenha ouvido falar disso nos últimos meses. Os ativistas socioambientais, os cientistas e, de certa forma, até a mídia tem falado sobre esse fenômeno natural que está chegando, o chamado “Super El Niño”. Essa condição climática e meteorológica, que já aconteceu outras vezes, pode ser a mais intensa em décadas, trazendo reais impactos climáticos e ambientais.

O El Niño é um fenômeno climático que acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical se aquecem de forma anormal e atípica. Esse aquecimento e a consolidação do fenômeno podem alterar padrões climáticos e meteorológicos, como padrões de vento e chuvas. Tais alterações podem acontecer em escala global, com consequências relevantes em diferentes áreas do mundo, inclusive o Brasil.

A formação de um El Niño não é, por si só, uma surpresa. Esse acontecimento tem sido mais frequente nos últimos anos, inclusive vivemos os impactos de um deles entre maio de 2023 e junho de 2024, um período até longo. Nessa ocasião tivemos sérias consequências, como ondas de calor mais intensas e secas mais prolongadas e severas.

No entanto, algumas ONGs reconhecidas, como o Greenpeace, apontam que o fenômeno climático que está se aproximando não é “só” mais um, com efeitos conhecidos e mais previsíveis. Por isso o “Super”. Na prática, isso quer dizer que a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassou +2°C em relação à média histórica, um aumento bastante significativo.

Históricamente falando, El Niños dessa magnitude só aconteceram quatro vezes nos últimos cento e cinquenta anos. Os modelos climatológicos apontam que, em 2026, isso pode acontecer uma quinta vez. No entanto, o que chama atenção é a intensificação desta realidade e a diminuição dos intervallos entre um Super El Niño e outro.

Segundo um texto publicado pelo Greenpeace em maio de 2026, “Nos últimos 150 anos, isso aconteceu apenas quatro vezes: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Caso se confirme o quinto agora, significará um intervalo pelo menos cinco anos mais curto entre os eventos, o que pode estar associado ao aquecimento global e à intensificação das mudanças climáticas”.

Porém é importante ressaltar que há cientistas que discordam da definição do El Niño que se aproxima como “Super”, apontando que isso pode criar um certo pânico desnecessário. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1o de junho, o físico brasileiro Paulo Artaxo, nome importante do Brasil no estudo do clima, afirmou que é difícil dizer o tamanho e a magnitude do fenômeno antes do mês de agosto. Para Artaxo, é importante aguardar dados mais precisos para entender os reais impactos do que vem por aí.

Independentemente de ser um Super El Niño ou “apenas” um El Niño comum, o que vemos é provavelmente, mais uma vez, um impacto direto das mudanças climáticas em fenômenos naturais que, por si só, já teriam alguma influência na vida das pessoas, na organização dos países, na fauna e na flora de tantos lugares. Com o aumento da intensidade e a diminuição do período entre um fenômeno e outro, esses impactos podem se tornar ainda mais sérios.

Esperemos, então, para entender de fato quais serão os impactos que o Super El Niño trará para o Brasil e para o mundo. E estejamos preparados para lidar com as consequências cada vez mais severas dessa realidade.

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