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Jogo recria primeiras ocupações humanas na Antártica

David Ferrari, Jornal da USP

Projeto de grupo de arqueologia interativa da USP em parceria com a UFMG divulga de maneira lúdica acervo de laboratório que realiza pesquisas no território gelado; iniciativa busca voluntários para testar protótipo

“Um jogo que trabalha o passado e o presente baseado em fatos arqueológicos.” Esta é a definição dada pelos desenvolvedores do game Arqueologia Antártica sobre um dos primeiros protótipos a trabalhar com a arqueologia do Continente Antártico. Eles fazem parte do grupo de pesquisa Arise – Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da Universidade de São Paulo (USP) e, coordenados pelo professor Alex Martire, criaram o jogo em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A ideia do game, que está em fase de testes, é mostrar de maneira lúdica e interativa as primeiras expedições de grupos que iam ao continente gelado para a caça de baleias e focas e proporcionar a chance de ser um arqueólogo por meio de uma ferramenta de realidade aumentada.

O jogo deve ser finalizado até dezembro deste ano e, para isso, Martire está em busca de voluntários para testarem o Arqueologia Antártica e enviarem contribuições a partir de suas experiências. A versão beta está disponível para download neste link para celulares com o sistema operacional Android.

O game é baseado nos estudos do Laboratório de Estudos Antárticos em Ciências Humanas (LEACH), da UFMG, uma referência em pesquisas relacionadas ao continente que detém o maior acervo de arqueologia da Antártica do mundo. Com o apoio de projeções em 360 graus disponibilizadas pelo laboratório digitalmente, os desenvolvedores da USP tiveram acesso ao sítio arqueológico da caverna Lima-Lima, local em que a história acontece, além do extenso acervo de objetos encontrados nas expedições dos pesquisadores, como cachimbos, machados, panelas, calçados e roupas.

Apesar de contar uma história fictícia, a narrativa construída no jogo Arqueologia Antártica simula como é a atividade de um arqueólogo e a sua importância. Ao relacionar um evento passado e trazê-lo de volta ao presente, o jogador consegue compreender a atuação do pesquisador da área e seus desafios.

“O jogo também desmistifica as grandes figuras da história. Quando se pensa em expedições à Antártica, é sempre em torno de uma grande figura, um grande explorador, que na maioria das vezes era um capitão de navio. Mas os que iam para lá eram os anônimos, como os nossos personagens” – Alex Martire, coordenador do Arise (Arqueologia Interativa e Simulações Eletrônicas)

A história narrada pelo protótipo

O protótipo do Arqueologia Antártica trabalha com dois tempos: o passado e o presente. No passado, em 1822, três personagens ingleses que foram para lá caçar animais encontram-se presos em uma caverna, a Caverna Lima-Lima, após enfrentarem uma tempestade que destruiu seus barcos.

Noah Baker, o personagem principal, junto de Albert e William, precisa encontrar formas de sobreviver em meio às condições extremas do local. Tendo apenas um pouco de carne de foca, uma panela, um machado e um cachimbo, além do resto do barco que já não tinha mais condições de ser reconstruído, o usuário precisa realizar algumas tarefas para mantê-los vivos, como quebrar o barco para a reutilização da madeira, acender uma fogueira e armazenar a carne.

No presente, quase duzentos anos depois, Andrés e outras duas arqueólogas chegam à mesma caverna e encontram alguns vestígios no local, como restos de uma panela, cinzas de uma fogueira e um cachimbo. Como um arqueólogo, o jogador deve procurar todos os vestígios dali.

Nesta etapa, o jogo ganha um incremento, o uso da realidade aumentada, que nada mais é que a mistura entre o virtual e o real. Com a impressão de uma cartilha, o usuário aponta a câmera de seu celular para o papel e as atividades são desbloqueadas.

Personagens em ação no protótipo do jogo Arqueologia Antártica – Foto: Divulgação Arise/USP

Jogo como ferramenta didática
Cada vez mais, os jogos têm sido inseridos nos contextos educacionais, como uma forma lúdica de aprendizagem. Para Martire, o Arqueologia Antártica se enquadra ao grupo dos games educativos que podem ser complementares às aulas ministradas pelos métodos tradicionais. Também pode ser classificado como uma ferramenta didática para um estudo multidisciplinar em salas de aula.

“Por se tratar da Antártica, pode-se trabalhar com a questão climática, como gelo e degelo, aumento dos níveis dos rios e quanto isso pode afetar os sítios arqueológicos de lá. Dá para o professor abordar o patrimônio histórico e o papel dos anônimos na história; uma análise da fauna e flora da região; estudos sobre a saúde da população e as doenças que os acometiam; aplicação de conceitos matemáticos e leituras de mapas para as navegações, além de tantas outras temáticas”, indica o criador do jogo.

Para poder ser aplicado nas escolas, Martire diz ainda que um material de orientação aos professores está sendo produzido. “Estamos desenvolvendo um guia didático em que explicaremos o que é arqueologia, alguns conceitos básicos sobre a Antártica e os estudos arqueológicos lá, e também iremos propor atividades para serem realizadas em sala de aula.”

Além da preocupação educacional, foram adotadas no jogo ferramentas de computação gráfica lowpoly, também chamadas de “versão cartunesca”, o que o torna mais leve e permite ser jogado em quase todos os smartphones, inclusive os que não possuem muitos recursos.

Para fazer o download do protótipo, clique aqui e siga as orientações.

O formulário para feedback está disponível através do link.

Conheça também o acervo digitalizado em 360º do LEACH e acompanhe as atividades do grupo Arise no Facebook.

 

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