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A área de ciências da vida foi a que teve mais pesquisas escolhidas

A disputa foi acirrada. Foram 1955 projetos do Brasil inteiro concorrendo à primeira fase do edital do Instituto Serrapilheira, a primeira instituição privada de fomento à pesquisa no Brasil. Das quase 2 mil propostas, 65 foram selecionadas e divulgadas hoje, 21 de dezembro. Cada uma das equipes vai receber até R$ 100 mil para provar que suas ideias são viáveis.

Ao jornal Folha de São Paulo, o geneticista francês Hugo Aguilaniu, diretor do Instituto, disse que a seleção buscou as propostas mais  ousadas. “Sabemos que esse tipo de aposta contém um risco, mas as grandes descobertas quase sempre vêm de perguntas audaciosas, de fora da caixa”.

Instituto Serrapilheira

Ciências da vida agrupam a maior parte dos projetos contemplados

Os temas das pesquisas variam bastante. A maioria, no entanto se refere a ciências da vida (60%), engenharias (13%), química (9%), ciências da terra (6%), ciência da computação (5%), física (5%) e matemática (2%). Traduzindo, as pesquisas vão buscar saber como as mudanças climáticas afetarão a disponibilidade e a qualidade da água nos aquíferos; qual a conexão entre buracos negros e raios cósmicos; se é possível associar diversidade de vírus e tamanho da epidemia de gripe, entre tantas outras.

Entre as escolhidas, há pesquisas de 26 estados, sendo que São Paulo e Rio de Janeiro lideram. O primeiro garantiu 497 projetos e o segundo, 331. Acre e Rondônia tiveram 1 e 2 trabalhos contemplados.

Instituto Serrapilheira

Dos 27 estados, 26 tiveram trabalhos selecionados

Entre outras instituições de pesquisa, as universidades têm destaque. Oito trabalhos foram propostos por pesquisadores da Universidade de São Paulo, a instituição que mais aparece entre os contemplados. A Universidade Federal do Rio de Janeiro, fica em segundo lugar. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vem logo depois, com 5 pesquisas. A Universidade Estadual de Campinas, a Universidade Federal do Ceará, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, têm três propostas cada. Empatadas, em 5o lugar, com dois trabalhos cada, estão a Universidade Federal de Minas Gerais, a vizinha Universidade Federal de Viçosa, a Universidade Federal do Paraná, e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Com projeto emplacado, estão Federal de Pernambuco, Federal do Rio Grande do Sul , Universidade Federal do Rio Grande, além das Universidades Federais de Uberlândia, Sergipe, Santa Maria, Canta Catarina, Alfenas, Bahia. No mesmo grupo ainda tem as Universidades Estaduais da Bahia e do Estado da Bahia e a Universidade do Brasil.

O perfil racial dos pesquisadores com pesquisas selecionadas mostra que cerca de 72% são brancos, 7% são afrodescendentes, 1,5% são asiáticos e 20% são “outros”, ou não quiseram declarar. Desses todos, 45 são homens e 20 são mulheres.

Ao final do primeiro ano, 10 dos 65 projetos terão continuidade. Serão avaliados por uma banca com feras da ciência mundial e terão um aporte de até R$ 1 milhão para serem tocados nos três anos seguintes.