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Tempo de recomeço no campus

Por Thaciana de Sousa Santos 

Voltar à rotina de aulas na universidade também exige um certo esforço, diz colunista

Na última semana vim aqui cheia de expectativas, praticando a lei da atração e bora para mais um ano, esse ano é meu, nada pode me parar.

Mas parou, sim. A semana foi extremamente exaustiva, achei que nem fosse sobreviver. Me empolguei tanto sonhando maravilhas que nem me toquei que sou humana.

Se um dia eu reclamei das férias tão longas, já me arrependo. Foi apenas a primeira semana, e acho que por isso foi tão cansativo. A minha rotina era só dormir, agora tenho que pegar transporte. Consigo mais nem tirar um cochilo de tarde.

Vou contar um pouquinho sobre os professores e as aulas que já tive. Na segunda, logo de cara, tive álgebra linear. Como era a primeira aula, o professor se apresentou, falou dos dias das provas e introduziu de forma bem simples a matéria. Começou falando um pouco sobre sistemas lineares, que não são nenhum bicho de sete cabeças, são como  aquelas continhas que aparecem no Instagram, com flores, frutas ou alguma outra coisa.

Em seguida, tive física 3, e foi a mesma coisa. O professor só não marcou a data das provas ainda, e ficamos a aula inteira falando sobre livre arbítrio, algo que não tem muito a ver com a matéria, mas tudo bem. Foi bem legal, e ele também comentou sobre a nova reforma do ensino médio. Demonstrou que ficou bem chateado, porque, querendo ou não, estão formando jovens para não pensar, para serem apenas mão de obra barata, e isso é o que tanto o chateia.

No dia seguinte, tinha aula de fundamentos da astronomia, que seria também uma introdução. Mas eu não sei o que aconteceu naquele dia, caiu uma chuva tão forte que me atrasou toda, nem consegui assistir à aula. Depois, tive as aulas da noite, as obrigatórias normais, primeiro física 3 e, aí sim, o professor começou com o conteúdo. Fez uma introdução um pouco sobre cargas elétricas e um pouco sobre campo elétrico —  admito que fiquei muito confusa, porque em um minuto explicava uma coisa, depois já entrava na outra, e foi assim a aula toda.

Tive cálculo 3 também, primeira aula do semestre. Já era um professor conhecido, e ele só marcou as provas, explicou como funcionaria, por que serão provas on-line, que prefere, disse, porque sempre perde os papéis.  No dia seguinte foi cálculo 3 de novo, e ele começou a introduzir o conteúdo, muitos conteúdos ao mesmo tempo, para falar a verdade. A próxima aula foi de álgebra linear de novo.

Na quinta, às 14h, tenho aula de astronomia: visão geral 1. Mas, como é uma matéria para os calouros de astronomia, não houve aula na primeira semana, dedicada à recepção desses novos estudantes. Depois, às 16h, era fundamentos de astronomia e dessa vez, não cheguei atrasada. O professor falou sobre escalas, porque no universo é tudo muito maior do que a gente consegue imaginar, falou também sobre galáxias e as suas formas, aglomerados e superaglomerados de galáxias.

Já no meu horário normal de aula, do período noturno tive física experimental 3, o famoso “lab”. Foi bem confuso porque não houve nenhuma aula introdutória, tínhamos que reservar bancada e nem sabíamos como fazia isso ou por quê. Também tivemos problema com a escolha do professor, porque aparecia que era um professor – teve gente que reservou sala/bancada na turma dele – e era outro.

Foi uma loucura até todo mundo se organizar, não ficou totalmente certo, mas na próxima aula tudo se ajeita. Logo na primeira aula tivemos experimentos e o proposto foi aquele de montar um circuito com resistor, para medir voltagem e ampère, sabe qual estou falando, né? Aquele em que no semestre passado, botamos fogo na sala.

Mas dessa vez não teve fogo, só tivemos problemas experimentais mesmo, como o aparelho. A técnica, montagem e medição, estava tudo certo.

A minha semana acabou aqui mesmo, na quinta. Na sexta resolvi ficar em casa para me arrumar porque tinha um casamento para ir.

Agora é aguentar a semana toda, tendo todas as aulas, mas logo logo me acostumo de novo.


Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

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