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Esperançar

por | 25 mar 2026

A colunista de meio ambiente comenta  filme ‘Últimas palavras com Dra. Jane Goodall’

Jane Goodall em palestra no TED Global, na Tanzânia, em 2007 (foto: Erik (HASH) Hersman – CC BY 2.0)

Eu tinha me preparado para escrever o texto dessa semana sobre a notícia assustadora que saiu na segunda-feira, 23: os últimos onze anos foram os mais quentes da história, desde que as temperaturas começaram a ser medidas. Os dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que não dá mais para duvidar da veracidade e da realidade das mudanças climáticas.

Apesar desse tema ser urgente, decidi abordar outra questão na coluna desta quinzena. No fim de semana assisti ao filme ‘Últimas palavras com Dra. Jane Goodall’, que está disponível na Netflix e tem só 55 minutos. Trata-se de uma entrevista com a primatologista, especialista em chimpanzés, gravada em março de 2025 e divulgada somente após a morte da britânica, em outubro do mesmo ano.

Jane foi, sem dúvidas, uma grande inspiração para mim. Inclusive escrevi sobre ela na ocasião do seu falecimento, no ano passado. Ainda não tinha tido coragem de assistir a essa entrevista porque queria seguir com a ilusão de que, de alguma forma, a Dra. Goodall ainda estava habitando o mesmo planeta que eu.

Ainda bem que decidi ver. Jane Goodall sempre falou sobre o poder da esperança e seu valor para a luta climática. Seu livro mais famoso, inclusive, se chama O livro da esperança. Mas eu nunca tinha ouvido ela falar diretamente sobre isso, apontando a importância de manter uma certa utopia na luta climática. Para Jane, a esperança é motriz da luta climática, por nos fazer entender que a Terra é para o presente, para o futuro e para aquilo que queremos deixar de legado para as próximas gerações.

A entrevista me fez lembrar de uma frase de que gosto muito e que me apareceu ao estudar os movimentos de maio de 1968 em Paris. Aquele clássico, “seja realista: peça o impossível”, para mim, tem muito poder e ressoa diretamente com a luta ambiental. Se não sonharmos e não pedirmos aquilo que parece irreal ou impossível, será que conseguiremos avançar e transformar o que precisa ser mudado?

Devemos, sim, nos munir de esperança, de sonhos e de utopias. Acredito muito que essas são forças motrizes da luta por um mundo que seja capaz de abraçar outras realidades e outras relações entre seres humanos, natureza e ambiente.

Parafraseando Eduardo Galeano (ou Fernando Birri), a utopia serve para não deixarmos de caminhar, de lutar, de seguir em frente. Sigamos lutando, embalados por Galeano, por Goodall, Krenak, Raoní e tantos outros e tantas outras que vieram antes de nós. Esperancemos.

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