Luiza Moura comenta a influência do clima na próxima Copa que começa em junho

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Faltam poucas semanas para o começo oficial da Copa do Mundo da FIFA (Federação Internacional de Futebol). Os olhos do mundo se voltarão para o Estádio Azteca, na Cidade do México, em 11 de junho, a fim de acompanhar a primeira partida do torneio, entre México e África do Sul. A Copa vai acontecer em três países — México, Canadá e Estados Unidos da América — entre jogadores que querem se consagrar, fãs animados e um clima que pode ser, digamos, protagonista.
Na semana retrasada, li um artigo da jornalista Giovanna Girardi, da Agência Pública, que abordava justamente a possibilidade de a questão climática aparecer como camisa 10 do período do torneio. Não tinha pensado sobre isso. Achei o tema muito interessante e decidi falar sobre isso aqui nesta coluna.
Além do calor, abordado no artigo da Giovanna Girardi, outros fenômenos climáticos podem interferir nas partidas de futebol disputadas no mundial. Nos Estados Unidos, os jogos poderão ser paralisados, por exemplo, se houver “alerta climático severo”. Isso pode incluir, por exemplo, tempestades com raios, tornados ou ventanias extremas.
No ano passado, na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, também disputada nos EUA, vimos isso acontecer mais de uma vez. A exemplo do Inter Miami x Palmeiras, jogos chegaram a ficar suspensos por mais de uma hora, cenário que pode se repetir no principal torneio de futebol do mundo.
O Sistema de Alerta de Emergências naquele país inclui entre suas informações relevantes os alertas meteorológicos. E caso detecte condições adversas, com potencial para colocar os atletas e o público em risco, dispara mensagens com pedidos para que todos se abriguem, e as partidas são paralisadas até que o tempo melhore.
Trata-se de medida de segurança extremamente importante e, em tempos de crise climática, com os eventos extremos acontecendo com muito mais frequência, dá para imaginar quantos jogos correm o risco de ser paralisados no meio, especialmente no verão estadunidense. Já imaginou se isso acontece no meio de um Brasil x Argentina? Ou de um Inglaterra x França? E até mesmo de um Portugal x Espanha? Certamente os torcedores ficarão bastante incomodados.
Outras medidas, não necessariamente ligadas à chuva, mas a outras condições climáticas, também serão adotadas no mundial. As famosas “pausas para hidratação” acontecerão obrigatoriamente em todos os jogos da Copa do Mundo, com duração de três minutos. E elas acontecerão independentemente do clima no dia do jogo, terão papel importante no bem-estar dos jogadores e serão cruciais para evitar que passem mal devido ao calor intenso.
Seja com chuvas, calor, tornados, frio intenso ou neve, o fato é que daqui pra frente, eventos esportivos de grande porte serão obrigados a lidar com a realidade climática confusa e bagunçada, cada vez mais concreta, principalmente por conta da crise climática, que segue em plena marcha, e da falta de políticas públicas efetivas para combatê-la.
Será que a meteorologia vai roubar o protagonismo das grandes estrelas do futebol mundial? Nos resta esperar para ver.






