Luiza Moura conta de seu projeto de mestrado sobre cidades e meio ambiente

São Paulo (SP), 10/12/2025 – Queda de árvores sobre carros na rua Paula Ney,na Vila Mariana (Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil)
Em março deste ano, vou começar meu mestrado na Escola de Artes e Ciências Humanas, a EACH, da USP. Foram meses me dedicando à construção de um projeto, aos estudos, às entrevistas e entendendo que, para mim, estudar meio ambiente era um grande objetivo.
Primeiro eu achei que queria estudar governança climática internacional. Depois mudei de ideia e achei que estudar ecofeminismos tinha mais a ver comigo. Mudei de ideia mais uma vez e acabei decidindo estudar cidades e meio ambiente, um tema que está em alta faz algum tempo, mas que ainda carece de estudos com profundidade e dedicação.
Decidi seguir nessa linha porque entendi que as cidades são um microcosmo. Existe uma frase clichê do ativismo socioambiental que diz “pensar globalmente, agir localmente”. Isso tem feito cada vez mais sentido para mim. Se não entendermos as particularidades, as especificidades e as características individuais dos lugares, encontrar soluções para os impactos da crise climática vai ser cada vez mais difícil.
Escolhi, no mestrado, estudar o afastamento entre cidades e natureza, não como obra do acaso, mas como fruto de um projeto, que foi construído para desenhar a natureza como esse “Outro” que deve ser dominado, destruído e removido da urbanidade.
Entender isso é um primeiro passo para buscar soluções para os impactos da crise ambiental. Reaproximar urbano e natural e trazer soluções baseadas na natureza é fundamental para que essa realidade comece a ser alterada, garantindo mais qualidade de vida para as pessoas e para as sociedades.
Dados da Organização das Nações Unidas estimam que cerca de 68% da população mundial será urbana até 2050. Ou seja, pensar nas cidades como espaços de construção de políticas públicas e como ambientes que podem ser melhorados e transformados é ainda mais fundamental, buscando garantir bem estar e qualidade de vida para boa parte da população do mundo.
Pra mim, nascida e criada em São Paulo, a maior metrópole da América Latina, repensar a lógica de urbanidade que se estabeleceu aqui é uma forma também de dar mais sentido ao meu ativismo, aos meus anseios e aos meus sonhos.
Acho que, no fim, se trata de pensar e tentar construir outras possibilidades de mundos. Outras realidades, que sejam mais saudáveis, mais colaborativas e mais coletivas. Sem a noção de domínio sobre a natureza e sem negar a importância do natural no urbano.
Sigo animadíssima para começar o mestrado, me dedicar a essas pesquisas e começar a sonhar e a construir outros mundos.






