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Respiramos aliviados

por | 29 out 2026

Colunista de meio ambiente celebra a eleição de Lula e a derrota de Flavio Bolsonaro, que representaria um risco ainda maior para o meio ambiente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2026, visitando a sala de monitoramento do Observatório Regional Amazônico, na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Brasília (foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

No último domingo, o presidente Lula foi reeleito para o seu quarto mandato, depois de uma virada histórica do primeiro para o segundo turno. Se a minha última coluna foi sobre o medo e o receio do avanço de políticas anti-ambientais com um Senado de ultradireita, hoje, eu quero falar sobre a esperança que me traz um quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Fato é que podemos, sim, respirar aliviados. A Amazônia não será entregue para os Estados Unidos da América. Os povos indígenas não serão, sistematicamente, perseguidos e não terão seus territórios invadidos com o aval do Governo Federal. O Ministério do Meio Ambiente não será ocupado por um negacionista. O Ibama e o ICMBio não serão desmontados. A Funai e o Ministério dos Povos Indígenas serão devidamente respeitados.

É importante que o novo governo do Presidente Lula avance mais em questões ambientais, como a transição energética, por exemplo, mas é também fundamental reconhecer que não havia futuro ambiental possível com uma eventual eleição de Flavio Bolsonaro. O futuro que a ultradireita apresenta é, necessariamente, negacionista, ecocida e violento. Com os povos originários desse país, com as populações tradicionais, com as minorias e com a Terra.

Me alivia saber que o Brasil não virará, novamente, um pária internacional nas conferências ambientais e climáticas marcadas para os próximos anos. Me alivia saber que, nos próximos quatro anos, o Brasil terá um presidente que, mesmo com todos os problemas, não nega a crise climática e, mais do que isso, busca ativamente construir políticas públicas que mitiguem e diminuam os impactos dessa realidade na vida de tantos brasileiros e brasileiras.

Podemos respirar aliviados porque o Fundo Amazônia será mantido. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) será mantido. Inclusive, na segunda-feira seguinte à vitória do presidente Lula, os Países Baixos já anunciaram um investimento de 500 milhões de dólares no TFFF. Um voto de confiança no novo governo do presidente, sem dúvida.

Vale lembrar também que a COP31 já está para acontecer. A Conferência está marcada para 9 a 20 de novembro, na Turquia. Respiro aliviada sabendo que o Brasil não será representado um presidente que seria chacota nos corredores da Zona Azul ou, pior ainda, que nem compareceria às Conferências, por não ver nisso uma prioridade.

Escolho, ao menos pelas próximas semanas, comemorar essa eleição tão fundamental e histórica para o nosso país. Não existe justiça climática, justiça ambiental, transição energética e políticas públicas ambientais sem democracia. Não há espaço para avançar em outros modos de existência em um país governado por uma família de milicianos e golpistas.

Respiremos, sim, muito aliviados! Muito felizes. E, acima de tudo, muito orgulhosos da mobilização popular que aconteceu neste país nas últimas semanas. Viva o povo brasileiro!


Luiza Moura é bacharela em relações internacionais pela PUC-SP, mestranda em mudança social e participação política pela USP e ativista socioambiental filiada ao PT

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