Luiza Moura questiona o preparo das cidades brasileiras para eventos climáticos extremos

Torre de alta tensão na zona rural de Taquaritinga, SP (foto: Fernando Panobianco / redes sociais)
Na semana passada, fui para Belo Horizonte participar de um congresso acadêmico na Universidade Federal de Minas Gerais. A distância de aproximadamente 590 km, no entanto, não me impediu de ver as notícias assustadoras sobre a forte ventania que atingiu São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados, causando sérias consequências.
Se em BH o céu estava azul e o sol brilhava de forma permanente, em São Paulo, os ventos de até 125 km/h que atingiram a capital, a região metropolitana e o litoral, derrubou árvores, arrancou postes de seus lugares e causou a morte de três pessoas. À distância, acompanhei preocupada a localização de meus amigos e minha família, querendo ter certeza de que todos estavam em segurança.
O episódio da semana passada não é o único evento climático extremo dos últimos tempos. Longe disso. No final de julho, um forte temporal atingiu o interior de São Paulo, provocando grandes danos à cidade de Ribeirão Preto, por exemplo. Os bombeiros afirmaram que atenderam 410 ocorrências de queda de árvores, 24 chamados por desabamentos ou desmoronamentos e 10 ocorrências de enchentes e alagamentos na região.
E não para por aí. Vale lembrar que estamos na iminência de mais um El Niño, fenômeno meteorológico intenso, que pode influenciar a ocorrência de eventos climáticos extremos, como esses que já aconteceram. É possível que chuvas fortes, vendavais, alagamentos e secas prolongadas se tornem mais frequentes nos próximos meses, o que é caso de preocupação e exige muito preparo por parte das cidades.
Além disso, o Climatempo já alertou que nesta semana deve haver mais ventos fortes para a Região Sul e para algumas áreas específicas do Sudeste. Os modelos do Instituto indicam que podem ocorrer rajadas acima de 80 km/h no Sul e de 70 km/h no Sudeste.
Questiono, porém, se as cidades estão adotando medidas emergenciais e construindo políticas públicas que garantam a segurança das pessoas e das estruturas urbanas, no caso desses eventos se repetirem. Quantas cidades estão verdadeiramente prontas para lidar com o aumento dos eventos climáticos extremos?
Para além das políticas públicas que devem ser pensadas a longo prazo, quantas cidades prepararam pacotes emergenciais para, por exemplo, os ventos que podem se repetir essa semana? A previsão do Climatempo está aí, a informação está circulando. Os governos municipais têm acesso a tudo isso. Alguma medida será tomada ou mais pessoas irão morrer, perder suas casas e viver em risco?
Quanto tempo será necessário e quantas tragédias precisarão acontecer até que o poder público comece a agir com eficiência, rapidez e agilidade? Até quando culparemos o vento, a chuva ou o sol pelo descaso e pela ineficiência de prefeituras, governos estaduais e nacionais?
Já passou da hora de sair do plano do discurso e entrar no plano da ação.






