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Maldita sea, otro apagón!

por | 11 fev 2026

Colunista ressalta discurso ambiental na obra do cantor porto-riquenho Bad Bunny

Capa do álbum Debí Tirar Más Fotos

O cantor Bad Bunny tem sido um dos assuntos mais falados dos últimos dias. Seu álbum Debí tirar más fotos ganhou, no dia primeiro de fevereiro, o Grammy de álbum do ano, um dos prêmios mais prestigiados do mundo da música. Já no domingo que passou, dia 8, o cantor foi o responsável pelo show do intervalo do Superbowl, a final da temporada de futebol americano, o evento esportivo mais importante dos Estados Unidos.

Benito, nome de batismo de Bad Bunny, é porto-riquenho e tem usado suas músicas para denunciar o apagamento cultural, social e político da ilha, que é considerada um território independente dos EUA. Trata-se, na real, de um nome chique e glamourizado para colônia.

Em um momento em que imigrantes e latinos são criminalizados em território estadunidense e em que Donald Trump faz questão de dizer que a América é dos Estados Unidos, Benito lança luz sobre a latinidade, homenageia nossas raízes e coloca Porto Rico no centro do mundo. E o que a questão ambiental tem a ver com isso? Tudo.

Uma das primeiras denúncias que Benito fez, em 2022, foi na música El Apagón, do álbum ‘Un verano sin ti’. A faixa denuncia explicitamente os apagões recorrentes que acontecem em Porto Rico, principalmente depois do processo de privatização da energia da ilha, que atualmente é administrada por uma empresa estadunidense.

A música veio acompanhada de um clipe de vinte minutos, praticamente um mini-documentário, que mostra como os porto-riquenhos têm sido expulsos de suas casas, de seus bairros e até de suas praias para que sejam construídos condomínios de luxo e voltados para turistas. A faixa termina com Benito afirmando: “Esta es mi playa / Este es mi sol / Esta es mi tierra / Esta soy yo”. Em português isso se traduz como: “Essa é minha praia / Esse é meu so l/ Essa é minha terra / Essa sou eu”.

Vale lembrar que, não faz muito tempo, o Brasil passou por uma discussão semelhante acerca de privatizações de praias, segregação e reforço da lógica da natureza como algo que deve ser dominado.

Já em seu álbum mais recente, o que ganhou o Grammy, Bad Bunny segue denunciando as questões ambientais que afetam Porto Rico. Ele escolheu o sapo concho como mascote do Debí Tirar Más Fotos. Trata-se de uma espécie típica da ilha, que está enfrentando um grave processo de extinção, correndo risco de desaparecer.

A natureza aparece também nas faixas do álbum. Talvez a música mais explicitamente política de Bad Bunny, até hoje, seja Lo que le pasó a Hawaii. Nela, o cantor basicamente diz que não quer que aconteça com PR o que aconteceu com o Havaí, ou seja, um processo de incorporação aos Estados Unidos — que culminou em apagamento social, cultural, político, econômico e até um apagamento ambiental.

Na canção, ele diz: ‘Quieren quitarme el río y también la playa / Quieren el barrio mío y que tus hijos se vayan’. Em português, isso se traduz como: “Querem tirar meu rio e também minha praia / querem meu bairro e que seus filhos vão embora”. É uma denúncia explícita da lógica de segregação e gentrificação que tem acontecido em PR, que causa sérios impactos ambientais e contribui, sem dúvidas, para a lógica, já citada, de necessidade de domínio da natureza e dos bens naturais como produto para gerar lucro.

Fato é que, seja para denunciar a presença do colonialismo estadunidense, ou para criticar os impactos que isso tem causado na fauna e na flora porto-riquenha, ou seja só para fazer todo mundo dançar ao som de reggaeton, Bad Bunny é hoje um dos nomes mais importantes da música mundial, doa a quem doer.

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Luiza Moura

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