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Já é tempo de COP31?

por | 23 jul 2026

Luiza Moura já está de olho na próxima conferência do clima, que acontecerá em novembro na Turquia

imagem: user6702303 / Magnific

Como vocês bem sabem, em novembro do ano passado, embarquei para Belém com a missão de participar da COP30, trazendo os principais acontecimentos e os grandes momentos aqui para o Ciência na Rua. Minha participação no evento mudou, para sempre, minha percepção sobre o que é uma conferência do clima e sobre como a sociedade civil pode participar desses espaços. Sem acesso à Zona Azul — espaço oficial onde ocorrem as negociações da COP — eu acompanhei de perto a programação paralela, muito organizada por movimentos sociais, coletivos de populações tradicionais e organizações da sociedade civil.

Apesar de ainda sentir em mim os efeitos, os impactos e os ecos de Belém, é hora de começar a pensar na COP31, que vai acontecer esse ano em Antália, na Turquia, com presidência do país-sede e da Austrália.

Fico aqui pensando qual será o tom da conferência. Será que conseguiremos, finalmente, avançar nas discussões sobre o mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis? Será que a pauta de gênero terá mais relevância? Será que a sociedade civil organizada será efetivamente escutada e conseguirá enfim influenciar as mesas de negociação e os acordos firmados? 

Ou será que teremos, mais uma vez, uma vitória — real e simbólica — dos lobistas do petróleo, dos grandes bilionários e dos países ricos, que seguem se recusando a pagar a parte deles e a assumir a responsabilidade pelos efeitos reais e perceptíveis das mudanças climáticas?

Me preocupa muito a possibilidade de sairmos de mais uma Conferência das Partes sem acordos resolutivos, que consigam apontar caminhos para lidar com os problemas que a crise climática já tem causado. Me preocupa, mais ainda, a possibilidade de vivermos mais uma COP que não dará espaço para a sociedade civil, para as manifestações do público e para a participação de ativistas, como aconteceu, por exemplo, no Egito e no Azerbaijão.

O sinal de alerta está ligado, ao menos para mim. A Conferência de Bonn, que sempre acontece antes das COPs, para planejá-las, adiantar algumas pautas e começar a discutir alguns temas, teve resultados frustrantes, adoção de poucas medidas efetivas e quase nenhuma decisão concreta sobre o futuro das pessoas e do planeta. Alguns relatos apontam, inclusive, ataques à ciência e uma espécie de discurso negacionista nos corredores de Bonn. 

Nos resta seguir vigilantes e atentos, buscando construir alternativas e proposições que possam fazer com que a COP31 ofereça resultados positivos e funcionais, incluindo e ouvindo as populações mais vulneráveis e os grupos que já estão, há décadas, lutando pela resistência do planeta.

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