Luiza Moura vê com otimismo os resultados alcançados na Colômbia pela Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis

Reunidos na Universidade do Magdalena, cientistas criaram o primeiro painel científico internacional dedicado à transição energética global (foto: Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia)
Sopram bons ventos da terra de Karol G, Gabriel García Márquez e Gustavo Petro. A Colômbia foi, na semana passada, protagonista na discussão climática. A primeira Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis aconteceu dentro de suas fronteiras, na cidade caribenha de Santa Marta, entre os dias 24 e 29 de abril. O encontro internacional reuniu representantes de mais de 50 países e buscou discutir a sério caminhos que levem ao fim do uso de combustíveis fósseis, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global e pelo agravamento da crise climática.
Organizado pelos governos da Colômbia e da Holanda, o encontro foi anunciado durante a COP30 (Conferência das Partes) em Belém, no ano passado, no auge das discussões sobre o chamado “mapa do caminho” para o fim dos combustíveis fósseis. O Brasil enviou representantes ao evento – tanto membros da sociedade civil quanto do governo, como a CEO da COP30, Ana Toni – e participou ativamente das discussões.
A Conferência Internacional da Colômbia já seria importante pelo simples fato de acontecer e se propor a discutir seriamente o fim do uso de combustíveis fósseis e uma transição energética justa e democrática. Mas, mais do que isso, os países debateram o financiamento para essa transição, meios de expandir as energias renováveis sem comprometer a segurança energética e, ainda, como lidar com o setor petroquímico, que se tornou o principal motor de crescimento da demanda por petróleo à medida que a procura por combustíveis fósseis cai.
É importante ressaltar que os debates em Santa Marta não geraram nenhum tratado com força de lei, ou seja, os acordos feitos não têm caráter vinculativo, e os países, na prática, não são obrigados a cumprir o que se decidiu na Conferência. No entanto, há saldos positivos desse encontro, como a possibilidade de criação de um instrumento jurídico para regular a oferta global de petróleo, gás e carvão, com mecanismos de financiamento e transição justa. Além disso, uma próxima conferência já foi marcada para 2027, em Tuvalu, na Oceania, com uma liderança compartilhada entre esse país e a Irlanda.
Outro avanço marcante foi a criação do primeiro painel científico internacional dedicado à transição energética global. Trata-se de um espaço importante para o encontro de cientistas, analistas e especialistas com o objetivo de produzir dados, informações e relatórios de qualidade sobre o tema, construindo assim mais bases científicas para a contestação do uso de combustíveis fósseis em pleno contexto de crise climática.
De longe, acompanhei a Conferência com esperança e com bons olhos. Em tempos de tantos negacionismos e poucos avanços concretos, um encontro que busca efetivamente buscar soluções para um dos maiores problemas do século traz um pouco de esperança. Os documentos e as decisões, apesar de não serem obrigatórias, trazem possíveis caminhos para ajudar a transformar a realidade, tirando os combustíveis fósseis do centro da economia.
O tempo dirá quanto disso será efetivamente colocado em prática. Mas, de todo modo, a Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis já entra para a história como o primeiro momento em que 57 países do mundo, dentre os 195 existentes, buscaram discutir a sério um futuro mais sustentável e limpo energeticamente.


