
Sangue oxigenado (em vermelho) em cérebro de pessoa dormindo (imagem: Fultz et al. 2019)
Lentas ondas de atividade elétrica varrem nossos cérebros enquanto dormimos, ajudando a eliminar resíduos que poderiam prejudicar os neurônios, de acordo com reportagem da revista Newscientist. Esse processo pode ajudar a prevenir problemas neurodegenerativos como o mal de Alzheimer.
A privação de sono está associada ao aumento de aglomerados de proteínas no cérebro como o beta-amilóide, que está relacionado à doença, explicou a pesquisadora Laura Lewis, da Universidade de Boston, nos EUA, à revista inglesa.
As ondas cerebrais são formadas por grandes redes neurais que disparam impulsos ao mesmo tempo, suas funções ainda não são claras, mas se sabe que são mais rápidas quando estamos acordados e mais lentas quando dormimos.
Lewis e sua equipe usaram capacetes para eletroencefalograma para medir a atividade cerebral de 13 pessoas, enquanto elas cochilavam em aparelhos de ressonância magnética. Ao mesmo tempo, os pesquisadores mediram a oxigenação do cérebro e o fluxo de líquido cefalorraquidiano, ou líquor – que é o fluido presente na região do cérebro.
A equipe descobriu que grandes ondas de líquor entram e saem do cérebro a cada 20 segundos, imagina-se que para fins de limpeza. O fluxo de entrada era precedido por lentas ondas elétricas, chamadas ondas delta. Pessoas com doenças neurodegenerativas como Alzheimer têm menos ondas cerebrais, e mais fracas, portanto pode-se esperar que tenham também ondas de líquor mais fracas e em menor quantidade, explicou a pesquisadora à Newscientist. Ainda não está claro, porém, se essa atividade de limpeza prejudicada seria uma causa ou um sintoma de condições como o Alzheimer.
A revista alerta que uma noite ruim de sono já pode levar a um aumento do beta-amilóide no cérebro, mas pondera que isso pode ser compensado rapidamente. “Às vezes, pessoas que não dormiram o suficiente apresentam muito mais dessas lentas ondas elétricas na noite seguinte, pode ser um jeito de o cérebro compensar em parte o sono perdido”, explica Lewis.
O artigo científico que deu origem à reportagem foi publicado na revista norte-americana Science.



