foto da home: Jans Canon CC BY 2.0
Em 2018, Salvador teve confirmados 42 casos de leptospirose. O número representa 60% do total de 70 confirmados na Bahia, de acordo com a secretaria de saúde do estado (Sesab). Reportagem do boletim Edgardigital, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), informa que um estudo da universidade busca compreender melhor a incidência da doença em bairros populares da cidade.
Os bairros escolhidos para o estudo foram Marechal Rondon, Alto do Cabrito, Rio Sena e Nova Constituinte, todos localizados no subúrbio ferroviário de Salvador. Os pesquisadores querem saber o nível de exposição dessas comunidades e como os moradores enxergam a própria vulnerabilidade. Para isso, contam com a ajuda de jovens moradores dos lugares, que tiram fotos e coletam informações.
Os jovens recebem formação nas áreas de cidadania, informática, mapeamento, além de treinamento em saúde e ambiente, no âmbito do projeto “Jovens Inovadores”, com aulas na UFBA e na própria comunidade. O objetivo é torná-los multiplicadores em seus próprios bairros. “Eu quero muito levar isso para minha comunidade. A falta de conhecimento é o nosso maior inimigo lá”, disse Alexandre Mota, morador do bairro do Alto do Cabrito e participante do projeto.

Jovens moradores participam na coleta de informações para o estudo
Na sexta-feira, 29 de março, foram divulgados os resultados preliminares da primeira fase do levantamento, que começou em 2017. Os dados apontam, por exemplo, que as famílias com renda mais baixa estão mais expostas à infecção. O número de casos, confirmados através de testes sorológicos, foi 63% menor nos domicílios que receberam ao menos um salário mínimo, em comparação àqueles sem renda.
A pesquisa também quis saber o nível de conhecimento das comunidades em relação à transmissão da doença. “É muito importante basear o nosso projeto no conhecimento local. Entre os moradores pesquisados, 84% apontaram o esgoto a céu aberto como principal determinante de risco objetivo”, afirmou o pesquisador Hussein Khalil.
Ao mesmo tempo, apenas 27 % consideraram que ações do Estado, como coleta de lixo e atuação do Centro de Controle de Zoonoses, são importantes para o controle da doença. Para os demais, 73%, são as ações individuais ou comunitárias que ajudam a reduzir esse risco. “É tanta negligência nessas comunidades que as pessoas naturalizam aquele efeito e acham que é culpa delas, inclusive, acabam se acomodando àquela situação”, destaca a professora Yeimi Alexandra Alzate Lopez.

Apresentação no auditório do ISC/UFBA. Da esquerda para direita: prof. Federico Costa (ISC); Alexandre Mota (morador); profa. Yeimi Alexandra Alzate Lopez (ISC) e Hussein Khalil (pesquisador, ISC)



