A três meses da eleição, Luiza Moura resalta a importância da eleição para o Legislativo

Leonardo Sá / Agência Senado
Estamos oficialmente em ano eleitoral. Em 2026, além de elegermos o presidente da república e os governadores dos estados, votaremos também em deputados federais, deputados estaduais e senadores. Obviamente, os votos para o Executivo são fundamentais e cumprem um papel importantíssimo na forma como o país será conduzido nos próximos quatro anos. No entanto, me preocupo de forma especial com os políticos que ocuparão a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.
Nos últimos anos, o Congresso Nacional foi grande protagonista dos eventos políticos do Brasil. Em meio a uma série de retrocessos discutidos e, em certos casos, aprovados nas casas legislativas, aqueles na área ambiental se destacam.
Vimos, nos últimos anos, tentativas desenfreadas de afrouxar a legislação ambiental brasileira, com a aprovação do Marco Temporal para terras indígenas, a aprovação do chamado “PL da Devastação” e até mesmo com os ataques gravíssimos e misóginos sofridos por Marina Silva, que ocupava o cargo de ministra do Meio Ambiente, quando participou de uma audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.
Vale chamar a atenção para a atuação coordenada da chamada bancada ruralista e para os perigos que ela representa. Dados do portal “De olho nos ruralistas” apontam que, em “2022, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cresceu 24% na Câmara dos Deputados em relação à legislatura anterior, chegando a 300 membros”. Já no Senado, segundo o mesmo portal, “o crescimento foi de 20%, de 39 para 47 — diante de um total de 81 senadores”.
Esse grupo de parlamentares se dedica de forma incansável a “defender os interesses” do agronegócio do Brasil, promovendo um modelo que é, na prática, exploratório, predatório e, como bem sabemos, responsável por boa parte do desmatamento no nosso país. Os ruralistas do Congresso nos lembram, constantemente, que não estão preocupados com o futuro ambiental e social do nosso país.
Em 2023, por exemplo, a Frente Parlamentar da Agropecuária foi responsável por 214 dos 283 votos favoráveis para a aprovação do Marco Temporal para Terras Indígenas, proposta que prejudicava seriamente a vida, a existência e a manutenção de tradições de povos indígenas do Brasil. Esse é apenas um exemplo entre muitos da atuação perigosa do grupo na Câmara e no Senado.
Para cogitar mudanças necessárias e políticas públicas importantes para a preservação ambiental e para o controle da crise climática no país, é fundamental controlar os ruralistas e garantir a expansão de uma bancada verdadeiramente comprometida com as causas ambientais. É urgente termos mais parlamentares preocupados e prontos para agir contra as graves consequências da crise climática. Garantir a diminuição do poder da bancada ruralista nas eleições de 2026 é fundamental se quisermos construir um país que esteja preparado para lidar com os desafios que virão nos próximos anos.






