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Clima de eleição

por | 21 out 2026

Luiza Moura lamenta a composição do Senado para a próxima legislatura, que deve vir com tudo nas pautas antiambientais

foto: Pedro França / Agência Senado

Há alguns meses, escrevi para o Ciência na Rua um texto sobre os perigos de elegermos em 2026 um congresso ruralista e que compactuasse com a destruição ambiental. Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu no dia 4 de outubro, no primeiro turno das eleições. 

Vamos olhar nesse texto só para o Senado Federal, que renovou dois terços de suas cadeiras, com a eleição de senadores que vão cumprir um mandato de oito anos. O novo cenário da casa legislativa é preocupante e lança um sinal de alerta para os ambientalistas e todos aqueles preocupados com a necessidade de construção de políticas públicas climáticas e ambientais. 

O principal partido de extrema direita no cenário atual da política brasileira, aumentou significativamente a sua presença no Senado Federal. Trata-se do partido Liberal, o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que elegeu, sozinho, 19 senadores e terá a maior bancada da casa. Historicamente, a legenda tem alguns nomes ligados ao agronegócio, ao empresariado e a pautas “desenvolvimentistas”, que vão na contramão do que é defendido por cientistas e especialistas como possíveis caminhos para um novo modelo de sociedade, que seja mais igualitária e ecologicamente mais saudável. 

Outro partido que também apresentou crescimento expressivo foi o Novo. A legenda, até então, não tinha conseguido eleger nenhum senador. O partido é conhecido por suas propostas neoliberais e pela defesa do empresariado brasileiro, que, convenhamos, muitas vezes não está preocupado com as questões ambientais e climáticas. 

Sem ficar aqui analisando quem ganhou e quem perdeu parlamentares, o fato é que o cenário é preocupante. Não consigo imaginar qualquer política pública de proteção ambiental ou medida emergencial sendo aprovada. Não consigo acreditar que esses parlamentares estarão dispostos a discutir transição energética, fim do uso de combustíveis fósseis, medidas de adaptação para cidades e combate a eventos climáticos extremos. 

Como será que enfrentaremos as calamidades públicas, o El Niño e os impactos das mudanças climáticas? Sem preparo dos municípios e com a repetição de um discurso de que “é a natureza”? Com corte de verbas para a área ambiental e, mais uma vez, desmonte do Ministério do Meio Ambiente e dos órgãos de fiscalização ambiental?

Me preocupo pelas populações indígenas, pelas comunidades quilombolas, pelos ribeirinhos, pela população em situação de vulnerabilidade que mora nas cidades e também no campo, pelos ambientalistas, pelos defensores da terra e por todos aqueles que buscam uma outra forma de existir e de se relacionar com o planeta.


Luiza Moura é bacharela em relações internacionais pela PUC-SP, mestranda em mudança social e participação política pela USP e ativista socioambiental

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