A Agência FAPESP informou:

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A boa e velha gargalhada

O ganhador do mais prestigiado prêmio científico da Alemanha, o Prêmio Gottfried Wilhelm Leibniz, o neurocientista Michael Brecht ajudou a identificar um circuito cerebral presente em ratos que é acionado por meio de cócegas. A mesma reação que o toque despertava nos animais – o chilrear, algo parecido com uma risada – foi possível de ser obtida pela estimulação de um determinado grupo de neurônios por meio de eletrodos.

Brecht também desenvolveu uma técnica inovadora, chamada “in vivo whole-cell”, para estudar a atividade neural em animais em livre movimentação. Foi por meio dessa técnica que ele demonstrou que até mesmo a estimulação de uma única célula nervosa basta para promover sensações e desencadear comportamentos motores. Esse universo de pesquisas será apresentado por ele na conferência “Sexo, Toque e Cócegas – A neurobiologia cortical do contato físico”, que acontecerá em na terça-feira, 24 de abril.

Sábado/Portuga

Brincar e gargalhar ativam a mesma área do cérebro

Será a quinta edição da DFG Leibniz Lecture, resultado de uma parceria da Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) com a FAPESP. A conferência (em inglês, sem tradução simultânea) será realizada no auditório da FAPESP, em São Paulo, é gratuita e aberta ao público. A conferência ocorrerá também no Rio de Janeiro, no dia 26, em parceria da DFG com o Instituto D’OR de Pesquisa e Ensino.

O tema da conferência de Brecht está diretamente ligado às pesquisas que ele conduz para investigar a reação cortical aos toques naturais espontâneos, trocados por congêneres em relações sociais.

Os estudos que ele fez a partir da interação de ratos também já revelaram que sentir cócegas pode depender de fatores como humor e temperamento. Além disso, ele descobriu que a região do córtex ativada durante as cócegas é a mesma que é ativada quando se brinca. “A descoberta da similaridade das reações às cócegas e ao ato de brincar é muito interessante. Ela me fez pensar que as cócegas são uma artimanha do cérebro para fazer animais, e humanos, respectivamente, interagirem e brincarem”, disse o neurocientista sobre a pesquisa.

Brecht é professor na Universidade Humboldt e no Bernstein Center for Computational Neuroscience, ambos em Berlim e recebeu o Prêmio Leibniz em 2012, em reconhecimento à pesquisa original e ao trabalho pioneiro em neurobiologia que desenvolve.