Luz no fim do túnel: primeiro o Butantan, depois a Sanofi Pasteur, abrem expectativas para vacinas contra zika sem muita demora

Mariluce Moura | 02 de fevereiro de 2016
© Paulo CarusoSai pra lá com essa Zika!

 

O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, abriu uma brecha nos prognósticos sombrios sobre as síndromes neurológicas associadas ao zika vírus, inclusive microcefalia, quando soltou no programa Roda Viva da Tevê Cultura, na segunda feira à noite, essa indagação: “quem sabe, dentro de um ano tenhamos uma vacina pentavalente?”.

Kalil explicava que a vacina contra dengue elaborada pelo Butantan, agora iniciando a fase 3 de desenvolvimento, ou seja, os testes clínicos em 17 mil pessoas no Brasil inteiro, depois dos necessários experimentos em camundongos, macacos e em um número limitado de pessoas, é polivalente. Isso é, baseada em vírus atenuados obtidos com técnicas de biologia molecular, essa vacina mostra-se eficaz contra os 4 sorotipos do vírus que causam dengue no Brasil.

A essa altura ele contou que, aproveitando os estudos para dengue, o Butantan estava trabalhando numa vacina de zika e foi aí que manifestou a expectativa de que, em lugar de uma vacina exclusiva para este vírus, a instituição possa apresentar ao mundo uma vacina pentavalente contra os quatro sorotipos do vírus da dengue mais zika. “Em um ano saberemos se essa vacina contra zika funciona, e aí é uma questão de produzir.”, resumiu.

Já hoje, a Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da Sanofi, soltou um release, ou seja, um comunicado para o mercado, anunciando o lançamento de um projeto de pesquisa e desenvolvimento visando à prevenção contra a infecção e doenças causadas pelo vírus zika. O texto, com algumas aspas de John Shiver, diretor da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) global da Sanofi Pasteur, lembrava que a empresa é líder na área de vacinas contra vírus da mesma família do zika (ZIKV), e conta com vacinas já licenciadas contra a febre amarela, a encefalite japonesa, e mais recentemente, a dengue.

Na mesma linha exposta pelo diretor do Butantan, a explicação da Sanofi Pasteur é de que se trata neste momento de aproveitar o conhecimento acumulado no desenvolvimento da vacina contra dengue, direcionando-o para o zika vírus. “A experiência da Sanofi Pasteur, sua sólida base e infraestrutura em Pesquisa e Desenvolvimento e capacidade industrial no caso da nova vacina contra a dengue, Dengvaxia®, podem ser rapidamente aproveitados para obter os conhecimentos sobre a disseminação do vírus Zika (ZIKV) e acelerar a rápida descoberta de uma vacina candidata para desenvolvimento clínico”, detalhou o comunicado.

Nicholas Jackson, diretor global de pesquisa da Sanofi Pasteur, que irá liderar o novo projeto contra zika, disse que a empresa “está atendendo a um apelo global para que se desenvolva uma vacina contra o vírus tendo em vista o rápido alastramento da doença e suas possíveis complicações clínicas”.



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