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Vamos torcer pelas meninas na Copa

Por Thaciana Sousa Santos

Entusiasmada com a garra da seleção feminina de futebol, colunista elege seus jogos como programa de férias e aproveita para fazer algumas reflexões sobre a desigualdade de gênero

Dei uma sumida por um tempo, mas, não, ainda não estou de férias. Estou terminando o semestre letivo e fazendo diversas provas. E enquanto as férias não chegam, estou imaginando o que farei nelas.

Infelizmente não conseguirei viajar, mas, felizmente, terei com o que ocupar a mente – e ainda sai muito mais barato de que viajar.

Eu gosto muito de futebol, muito mesmo, mas por causa da rotina fica muito difícil acompanhar os jogos do meu amado Corinthians, apesar de que, talvez seja livramento, porque o negócio está feio. Vi que um jogador foi até agredido e isso não é futebol.

Acredito que o futebol deveria nos unir, acho que é por isso que gosto tanto de Copa do Mundo e estou louca para ver as mulheres jogarem esse ano. O masculino anda sem entrosamento, claro que também está sem técnico, mas isso vem desde a Copa do ano passado. Eu não estou aqui para apontar os erros de ninguém, até porque, não entendo muito do assunto. Mas eu sei que havia muito favoritismo e como chegam com a bola no peito, por ser o país do futebol, esquecem de jogar bola.

Já as mulheres, não. Estão em busca da sua primeira estrela e tenho certeza de que estão com sangue nos olhos, claro que não vou propagar a rivalidade feminina, mas é futebol, minha gente!

O feminino não tem tanta visibilidade como o masculino e claro que sabemos o motivo. Mas eu convido você a mudar isso. Vamos pintar as ruas, colocar bandeirinhas e torcer por elas.

Não vejo a hora de ligar a TV e ver a Marta jogando. Mesmo que sejam 8h da manhã, irei fazer uma pipoquinha e torcer pelo Brasil.

Nós devemos isso a elas. Não tem nem um ano que foi a copa masculina e estávamos todos ansiosos pelo título. Há quem tenha pintado ruas e rostos, feito churrasco e comprado cerveja para a família toda, vibrado a cada gol e sentido que naquele momento, o título era nosso. Vamos fazer de novo!

O último jogo das meninas, que foi um amistoso contra o Chile, foi espetacular. Não tenho nem palavras para dizer a grandiosidade daquele jogo. Era de suma importância chegar no campeonato com a bola no peito, além de testar jogadoras e, olha, nem sei expressar a minha emoção!

O ponto não é o futebol em si, mas o que representa. É um novo mundo e isso é indiscutível, as mulheres estão cada vez mais ocupando os espaços que ainda são majoritariamente masculinos.

Vamos vibrar porque são mulheres jogando futebol ou sendo médicas ou engenheiras. Apesar de toda a conquista, o que mais me dói é ver mulheres desmerecendo mulheres. Como se fosse errado uma mulher que se tornou mãe decidir não voltar a trabalhar para se dedicar ao seu filho, como se fosse errado eu priorizar a faculdade e não trabalhar.

Não sei em que momento isso aconteceu, mas romantizaram a exaustão e para disfarçar a chamam de produtividade. Como se para ser produtivo fosse necessário acordar com o barulho dos galos, fazer academia, arrumar a casa, trabalhar, ler um livro por semana, estudar, dormir 8h por noite, comer de forma saudável, ter vida social e, às vezes, um companheiro (a).

Isso tudo, todos os dias. Não sobra nem tempo para chorar no banho, porque os minutos são cronometrados. As mulheres não são mulheres-maravilha espalhadas pelo mundo. São pessoas reais e com limitações e nem sempre há necessidade de se desdobrar em mil para mostrar aos outros que são capazes.

Há diversos assuntos que nos afastam, mas o futebol não deveria ser um deles. É por isso que eu convido vocês a torcerem comigo pelo futebol, pelo Brasil e pelas mulheres.


Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

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