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Uma estrela fracassada

Por Thaciana de Sousa Santos

A pergunta sobre por que Júpiter é tão frio levou a colunista a descobrir que, por massa insuficiente, o projeto original para o planeta não vingou

Acabei de descobrir que Júpiter é uma estrela fracassada! Mas como assim? Calma, logo chegaremos lá.

Desta vez eu vou contar um pouco sobre os planetas externos de nosso sistema solar, que também são chamados de jovianos e gasosos: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Lembram-se que os outros são telúricos, né? Mas não é porque são gasosos que podemos atravessá-los.

O maior planeta do sistema solar é Júpiter e sua rotação é a mais rápida de todos, demorando cerca de 10 horas. Já a sua translação (movimento ao redor do Sol) é de quase 12 anos. Por causa da rotação tão rápida, o planeta não é totalmente esférico, e seu diâmetro equatorial é maior que o polar. A composição química é similar à do Sol, com predomínio de hidrogênio e hélio. Júpiter também possui uma grande mancha vermelha, com um diâmetro duas vezes maior que o da Terra, como um imenso ciclone com um período de rotação de seis dias.

A massa de Júpiter é 318 vezes a da Terra, mas, como é gasoso, tem uma baixa densidade, e no topo da sua atmosfera a temperatura muito baixa atinge -121 graus Celsius. Mas, por que Júpiter é tão frio? O planeta irradia duas vezes mais energia do que recebe e, justamente por isso, o planeta está esfriando.

Todos já ouvimos falar dos anéis de Saturno, mas acho que um pouco menos nos de Júpiter, não?  Eles existem, mas são menos esplendorosos e pouco visíveis na observação desde a superfície da Terra, No final da década de 1970 as sondas Voyage I e II mandaram informações deles, mais detalhes foram revelados pela sonda Galileu em meados da década de 1990 e, finalmente, o telescópio James Webb mostrou generosamente no ano passado imagens desses anéis. Mas o que realmente são? Nada mais do que partículas de gelo e poeira, com uma espessura variando entre 30 e 300km. Trazendo para o nosso dia a dia, sabemos que 300km é uma distância um tanto grande.

Agora o seu interior: como é que funciona isso, já que é formado por gases? A possível configuração é que haja um núcleo rochoso seguido por uma camada líquida, por causa da pressão, e por fim, a formação gasosa.

Júpiter também possui muitas luas, no mínimo 90. As maiores são chamados de Satélites Galileanos que, claro, foram descobertos por Galileu Galilei, e podem ser vistos até com bons binóculos. Sim, porque são muito grandes, com tamanhos comparáveis ao da nossa Lua e às luas de Mercúrio.

Nossa, mas por quê Júpiter é tão grande e tem tantas luas?  Bom, nesse ponto foi que descobri que ele é uma estrela fracassada. Mas como assim?

Todas as estrelas tem o seu período de formação, levam milhões de anos para isso e até mais. Não é algo palpável, que possamos acompanhar.  As melhores condições para se formar estrelas são encontradas nos centros de nuvens escuras de gás, de poeira ou moleculares, absurdamente grandes.

São necessárias grandes massas de um fragmento de nuvem, sem o que suas temperaturas internas não atingem o valor necessário para acontecer a fusão nuclear do hidrogênio.

Quando isso acontece, esses fragmentos podem virar anãs marrons e Júpiters. E  como eu já disse, Júpiter está esfriando, mas o seu calor ainda é detectável e o equilíbrio é alcançado por calor e rotação.

Então, quando pensar em uma estrela, lembre-se de Júpiter, que poderia ser uma, mas não teve massa suficiente para tal feito. A massa é a principal quantidade que determina se as estrelas serão ou não formadas, e, caso sejam, o seu tempo de evolução.

Um tempo bem grande! E quando elas “morrem” tendem a se misturar com o meio interestelar.  Esse tempo pode chegar a cerca de 1032 anos e nem o universo  é tão velho assim.

Quer saber mais sobre Júpiter e outros planetas? Sugiro uma olhada em https://astro.if.ufrgs.br/#gsc.tab=0


Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

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