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Uma carta aberta aos meus amigos militantes (ou sobre a importância de se coletivizar)

Esse texto é dedicado a todos os militantes do Clima da Mudança Brasil, a todos os integrantes da Juventude em REDE SP e a todo mundo que, de alguma forma, luta comigo

Calma. Eu sei o que parece. Mas eu juro que esse não é um texto melodramático sobre o quanto eu amo meus amigos. Apesar disso ser muito verdade. É um texto sobre a importância de atuar em coletivo e sobre agir em conjunto.

Eu entrei no ativismo socioambiental no meio de 2021. Era o meio da pandemia, o mundo tava um caos, tava todo mundo trancado em casa, e a gente não podia ver ninguém. Num surto meio aleatório, eu resolvi me juntar a um grupo de pessoas que tava tentando adiar o fim do mundo, como diz o escritor indígena Ailton Krenak.

Um coletivo foi levando a outro, fui conhecendo mais gente. A pandemia acabou, pudemos voltar a atuar nas ruas, construímos muitas ações, organizamos manifestações. Crescemos em número e em alcance. Percebemos que estávamos lutando contra algo enorme: a força da grana, as grandes corporações, bilionários, um sistema socioeconômico inteiro. Nos fortalecemos enquanto coletivo. E percebemos que só seríamos capazes de avançar, de alguma forma, se atuássemos em  coletivo.

A real é que tenho visto recentemente um grande debate sobre o papel dos indivíduos no combate a crise climática que enfrentamos. E, sim, sem dúvida, cada indivíduo precisa contribuir para a não destruição do planeta. Mas a efetiva mudança só vai acontecer com a atuação coletiva. Porque é construindo em conjunto que se fazem as melhores soluções, as melhores possibilidades e as melhores saídas para um problema global.

E não é só isso: atuar em coletivo é também uma forma de construir uma rede de apoio. Que pode parecer meio baboseira melodramática, mas não é, sério mesmo. Às vezes, estar no ativismo é pesado. Cansa. Dá vontade de desistir, de largar tudo e fugir pra ir morar no meio do mato. E é nessas horas que a rede de apoio funciona, é nesses momentos que um outro ativista vai vir, pegar sua mão e te levantar, porque não podemos abandonar a luta. É uma coisa meio “ninguém solta a mão de ninguém” mesmo. Pra todo mundo seguir avançando, junto, sem ninguém ficar pra trás.

Lutar em coletivo e organizar-se em coletivo é também uma forma de organizar a raiva que muitas vezes sentimos. Sejamos honestos, é como eu disse, nem sempre são flores ser ativista. E às vezes dá raiva, sim, dá vontade de gritar. Principalmente quando sentimos que não estamos sendo ouvidos — o que, no ativismo climático, acontece bastante. O coletivo ajuda a transformar a raiva em ação. Em potência de transformação. A raiva não morre em si mesma e, desse jeito, é possível continuar a lutar e a brigar por transformações concretas.

Por fim, vale a pena ser um pouco mais “filosófica”, talvez. Entendo que o ser humano não nasceu pra ficar sozinho. Nasceu pra estar junto com gente. Então talvez a gente precise mesmo estar com mais gente pra conseguir se organizar. E pra conseguir reivindicar tudo aquilo que queremos. Nenhuma conquista da humanidade foi conquistada por boa vontade de alguém que concedeu. Tudo veio de luta coletiva, organizada e pensada por mais de uma pessoa. Volto a repetir, em relação à crise climática: é óbvio que a consciência individual é fundamental. Acho que o primeiro passo para tudo talvez seja essa ação individual da tomada de consciência. Mas não pode parar por aí.

É, sim, preciso se organizar coletivamente. É, sim, preciso estar junto com mais gente pra reivindicar o que é justo e o que é necessário. É, sim, preciso juntar 200, 300, 400 pessoas na Avenida Paulista pra pedir o fim do uso dos combustíveis fósseis. É, sim, preciso fazer barulho em audiências públicas, assembleias, rodas de conversa. Em todos os espaços E em coletivo. É assim que a gente vai adiar o fim do mundo.

E a todos os meus amigos que lutam ao meu lado: fica aqui o meu muito obrigada. É mais fácil aguentar todas as dificuldades porque a gente tá lutando juntos. Cada crise fica mais leve depois que a gente se olha no olho. É o verdadeiro sentimento de camaradagem e companheirismo. E a gente vai, sim, vencer essa guerra.

 

Foto: rawpixel.com / Freepik

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