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Um frio na barriga: o retorno

Por Thaciana de Sousa Santos

Já não mais caloura e de volta à USP, colunista diz que gostaria de oferecer uma palavra de conforto aos colegas que estão entrando, mas não a tem por ora, presa ainda de sentimentos contraditórios

 

Essa foi a minha última semana de férias e confesso que estou com um frio na barriga. Não sei o que esperar para esse ano nem o que ele me reserva.

Parando para pensar, é estranho não ser mais caloura. Há quem vai passar pelo mesmo que eu; chorar de desespero, pensar que está no curso errado, que não é capaz de estar ali. E eu queria ter uma palavra de conforto, mas não tenho, porque conheço todos esses sentimentos e ainda não consegui vencê-los.

Estou fazendo o que posso para tentar levar o curso de uma forma mais leve, já estou testando organizar os estudos com as dicas que as blogueiras de estudos dão. Se vai funcionar? Eu não sei, espero que sim. Estou confiante em que de agora em diante, vai dar tudo certo.

Eu comentei que iria tentar mudar de turno, ir para o diurno. Tentei e consegui, mas acabei desistindo, seria muito cansativo e, no fim, seria pior. Me acostumei com o horário da noite, não consegui me adaptar com os estudos e as aulas, mas agora vou dar um jeito.

Estou tentando ao máximo ser otimista, torcendo para que tudo dê certo este ano e,  por mais que não queira, estou ansiosa pela volta às aulas, isso provavelmente vai durar uma semana só, depois estarei suplicando por férias novamente.

Achei as férias muito longas, não imaginei que ficaria tão entediada. Claro que se eu estivesse viajando direto, acharia que passaram super rapidinho. Mas não estava, fiquei um bocado de dias em casa mesmo.

Aproveitei para dormir bastante, não sei de onde vinha tanto sono, porque acordava umas 9h, arrumava a casa e o Paulo, para ir à escola e assim que ele saía, ia dormir de novo, e passava horas tirando uma soneca e depois, dormia a noite toda. Vou sofrer até desacostumar com a longa soneca da tarde.

Não sei como é possível dormir tanto assim, mas eu dormia. Acho que era mais tédio do que qualquer outra coisa. Infelizmente todos os meus planos de ser fit não deram certo. A minha psicóloga falou que eu deveria tentar fazer uma caminhada, para espairecer a mente, mas não consegui. Não queria ver gente na rua, só queria ficar em casa, quietinha, dormindo e lendo.

Sim, eu consegui ler algum livro. Isso me incomodou muito em 2022, tudo ficou tão corrido, e como não sabia me organizar, não consegui ler nem assistir as séries que queria. Mas agora isso vai mudar.

Vou seguir a meta de ler um livro por mês e por enquanto está dando certo, claro que está, né? Não tive aulas ainda. Até o momento eu li a trilogia da Jenna Evans: Amor e Gelato, Amor e Sorte e por último, Amor e Azeitonas. Confesso que o último livro foi o meu favorito dos três, a história me envolveu, sem contar que são romances leves, fáceis de ler.

Agora pretendo começar a ler os livros da Colleen Hoover, vejo muita gente no Instagram falando dos livros dela, claro que vou iniciar com os clichês, mas vou iniciar pelo menos, já é alguma coisa.

Às vezes ficamos tão focados em fazer mil coisas por dia, para ter um dia produtivo e no fim, não conseguimos fazer nada e nos frustramos. O básico bem feito também funciona, quando não estiver em um bom dia, assim como eu, pegue um livro, do seu gênero preferido, faça um chá e leia.

Não somos fortes o tempo todo, e nem precisamos ser. Só temos que entender e lidar com as nossas limitações, a vida fica bem mais leve quando estamos bem com nós mesmos.


Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

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