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Os novos passos de uma veterana júnior

Nós temos o ano inteiro para falar sobre curiosidades do mundo científico, especificamente sobre física e astronomia. Mas, como ficamos um tempinho sem nos comunicar (eu sei que isso é meio que um monólogo, mas gosto de pensar que é uma conversa), quero contar como foi o final do meu semestre passado e como será a minha vida como estudante a partir de agora.

Não sei se ficaram sabendo, mas houve uma greve na USP no ano passado, acho que finalzinho de setembro, e se estendeu até finalzinho de outubro. E eu não estou aqui para tomar um lado sobre a greve, porque já passou e não tem como voltar.
A universidade não é perfeita, mas foi uma luta necessária, principalmente para a permanência de jovens baixa renda nos seus cursos. Mas não só isso, quem se mata de estudar durante anos quer o diploma, e até isso, estava sendo dificultado, porque não houve contratação de professores. Na Física mesmo, teve um professor que se tornou presidente da comissão de pós-graduação, o Paulo Nussenzveig, e até agora não colocaram um substituto para ele.

Apesar de pautas importantíssimas, o nosso calendário ficou uma bagunça, porque as aulas perdidas não puderam ser repostas, o semestre tinha que terminar obrigatoriamente dia 22 de dezembro. Em janeiro é possível marcar provas de substitutivas e de recuperação e foi a melhor alternativa encontrada, mas, olha, esse foi o semestre mais louco que tive.

Achei que nem fosse sair inteira dele, porque foram muitas provas, uma em cima da outra. Sem contar a disputa para marcar as datas delas, quem falasse primeiro, ficava com o dia, e assim foi.
Apesar de ter ingressado na faculdade em 2022 e, em 2023, não ser mais considerada caloura, eu ainda me considerava. Só não seria caloura quando terminasse o ciclo básico, e esse momento chegou. Não sou mais caloura sênior, agora sou oficialmente veterana. Uma veterana júnior ainda, mas veterana.

Ainda tenho duas matérias do ciclo básico para fazer, mas deixarei isso para o ano que vem. Até falaria que não tenho pressa, mas tenho um pouquinho de pressa, sim. Apesar de não ter que fazer o TCC (trabalho de conclusão de curso), tenho que fazer algumas matérias optativas e um bocado de horas complementares para conseguir me formar.

Estranho, né? Quando comecei aqui, eu era uma aluna perdida (ainda sou), uma caloura cheia de sonhos e expectativas, agora eu realmente só quero me formar. Ainda me faltam três anos de curso, mas, na minha cabeça, já fiz o pior. Mas só no sentido de uma grade exaustiva, porque me falta o terror: eletromagnetismo.

Ainda tenho três semestres com matérias obrigatórias, mas é claro que é com base na grade sugerida, o que não é viável para todos os alunos e que talvez não seja viável para mim.

A grade não é tão exaustiva como antes, mas as matérias são, sem dúvidas, piores. Agora no quinto semestre, terei Física Matemática 1, que é para ensinar um rigor matemático maior para as teorias físicas. Terei também Mecânica Estatística — a ideia principal da disciplina é estudar sistemas físicos compostos por muitas partículas utilizando a probabilidade — e, por último, Física Experimental 5.

Essas são as únicas matérias obrigatórias que terei nesse semestre e talvez. E farei uma optativa. A minha preferência é para Relatividade, mas no momento, estou matriculada em Astrofísica Estelar. Assim que decidir qual cursarei, conto aqui para vocês.

Ainda tenho algumas semanas de descanso, já que as aulas só voltam dia 26 de fevereiro, mas, até lá, estarei estudando um pouquinho, porque agora tenho que me preocupar também com o Exame Unificado de Física (EUF), para a pós-graduação e para conseguir uma bolsa. Sei que ainda falta um tempinho, mas como quero entrar no mestrado assim que terminar a graduação, acho válido já começar a me preparar.

Espero que esse ano seja melhor e que essa nova fase dentro da graduação seja um tanto quanto mais leve. É claro que eu acho bem difícil, mas não custa nada sonhar.

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