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Cúpula da Amazônia: entre a importância histórica e a frustração

Por Luiza Moura

É inegável que o evento foi um momento emocionante, representativo, mas, ao mesmo tempo, a Declaração de Belém foi um tanto quanto frustrante, diz colunista 

Presidente Lula com chefes de Estado e de governo dos países signatários do Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), Belém, Pará, em 8 de agosto de 2023 (Ricardo Stuckert/PR – Agência Brasil)

 

Acho que a essa altura do campeonato, todo mundo já meio que sabe que aconteceu, entre os dias 08 e 09 de Agosto, a Cúpula da Amazônia, na cidade de Belém do Pará. O encontro entre os países amazônicos foi uma iniciativa brasileira, proposta pelo governo do presidente Lula. A reunião tinha como objetivo discutir, de forma conjunta, políticas públicas e possíveis soluções para os problemas enfrentados pela região e seus países.

Não vou me ater nesse texto aos detalhes do que foi o evento e como ele aconteceu. Quero falar aqui sobre um sentimento que, acho, foi comum entre os ativistas nos dias que seguiram a Cúpula. É inegável que foi um momento emocionante, representativo, com participação social, cultural, com diversas comunidades indígenas e originárias da Amazônia. Eu, que estava em São Paulo, fiquei extremamente emocionada vendo as imagens postadas no stories dos meus amigos que estavam em Belém.

Acho que depois de quatro anos de negacionismo e destruição sistemática da Amazônia, ter um momento institucional, promovido pelo governo federal, para discutir a Amazônia, suas questões (em todos os sentidos) e seus povos é algo que traz muita esperança. É nítido que, de fato, a preservação ambiental e a reconstrução das políticas socioambientais são prioridades deste governo. Aliás, não tem como escapar, eu preciso dizer aqui: que sorte a nossa ter Marina Silva como ministra do Meio Ambiente. Mulher gigante, que dedicou toda a sua vida à luta pela preservação da floresta. Que bom, ministra Marina, ver a senhora de volta ao posto de chefe dessa pasta tão fundamental e central na reconstrução do Brasil.

Ao mesmo tempo, enquanto a gente reconhece a importância e a simbologia desse momento, não posso negar que a Declaração de Belém foi, realmente, um tanto quanto frustrante. Não quero aqui apontar dedos ou colocar a “culpa” em governo X ou Y, mas a sensação que fica, lendo a resolução final do evento, é que as medidas adotadas e as ações sugeridas não vão ser capazes de lidar com a urgência dos problemas que já vêm acontecendo na Amazônia.

O ponto de não retorno já tá quase aí, gente. O desmatamento é uma realidade constante. E, em 2023 a gente ainda tá tendo que explicar o óbvio: não é uma boa ideia explorar petróleo na foz amazônica, e nem vou entrar a fundo nesse assunto porque, né, sinceramente, mais combustíveis fósseis em 2023 só pode ser piada (e já tem texto aqui no Ciência na Rua sobre isso!)

De forma geral, acho que muitos de nós sentimos falta de propostas mais concretas nas metas de desmatamento zero. O próprio presidente da Colômbia, Gustavo Petro, falou sobre isso e sobre a questão de manter a exploração de fósseis no bioma.

Claro, como disse a ministra Marina, ninguém pode impor sua vontade, mas acho que talvez falte um pouco aos líderes latino-americanos dos países amazônicos a compreensão de que a pauta é urgente e, sim, pede medidas drásticas. É nossa obrigação, como humanidade, proteger a maior floresta tropical do planeta.

Assim, acho que de certa forma, saímos todos dessa Cúpula da Amazônia com sentimentos agridoces. Foi lindo, forte, potente, simbólico. Ainda bem que aconteceu. Ainda bem que temos chefes de Estado dispostos a conversar e a dialogar sobre o tema. Mas, que pena que ainda não conseguimos avançar nas negociações para criar condições e políticas públicas efetivas para proteger a floresta, a cidade, o mundo e todos nós. Torço, sinceramente, para que ainda dê tempo de controlar danos e reverter a situação. São cenas dos próximos capítulos.

E, ah! Quem quiser informações mais detalhadas, um verdadeiro resumão, do que foi e do que rolou na Cúpula da Amazônia é só assistir o vídeo da Gabi Melo, ativista socioambiental incrível, militante engajada e (ainda bem) minha amiga. O vídeo é em parceria com o movimento Clima De Mudança e é perfeito para entender o que rolou nesses dias em Belém do Pará. Fica a recomendação. É só clicar aqui: https://www.instagram.com/p/Cv5uQGTNoV1/

 


Luiza Moura é estudante de relações internacionais na PUC-SP e ativista socioambiental

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