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A resistência às mudanças climáticas será feminista. Ou não será.

Por Luiza Moura

Mulheres e meninas sofrem mais com os efeitos da crise climática do que homens e meninos, observa colunista, fazendo referência a relatórios da ONU

 

Manifestação 8 de Março, Avenida Paulista (Rovena Rosa – Agência Brasil)

         

A crise climática já é uma realidade. A cada ano que passa, mais consequências dessa emergência são sentidas por pessoas ao redor de todo o globo. Eventos extremos, como tempestades, secas e furacões, estão se tornando cada vez mais frequentes e mais perigosos. Mas, ao analisar esse cenário, é preciso se questionar sobre um ponto central: todas as pessoas do mundo sentem os efeitos da crise da mesma forma?

A resposta é não.

Pessoas historicamente marginalizadas são as que mais sofrem com essa problemática (e a gente já falou sobre isso aqui – dá uma olhada no texto passado e na discussão sobre racismo ambiental). Assim, é possível constatar que mulheres e meninas sofrem mais com os efeitos da crise climática do que homens e meninos. Relatórios da Organização das Nações Unidas, ONU, já propõem que, independentemente do cenário em questão, são as pessoas do sexo feminino que carregam consigo, de forma mais pesada, os efeitos nefastos da mudança do clima, como demonstrado em reportagem do jornal Folha de São Paulo.

Essa diferença de impacto já vem se refletindo concretamente em números. Estudos mostram que cerca de 80% dos refugiados climáticos são mulheres. Refugiados climáticos são aquelas pessoas que são forçadas a sair de suas casas e se deslocar de um lugar para outro por conta de eventos e tragédias ambientais como grandes incêndios, grandes secas, rompimentos de barragens, etc. Ou seja, quase a totalidade dessas pessoas forçadas a se deslocar são do sexo feminino.

Ainda nesse sentido, vale relembrar que, muitas vezes e em muitas situações, as mulheres são as responsáveis pela família, portanto, ao se deslocar, elas levam consigo a família, inclusive crianças, que, em decorrência, também sofrem as consequências dessa crise globalizada.

Foi também entendendo a urgência de se lidar com essa questão e de se olhar para a situação de mulheres e meninas ao redor do mundo que a Conferência das Partes, a COP, passou a dedicar dias de debates e discussões para, exclusivamente, se tratar das questões de gênero que se interseccionam com as questões climáticas. Ah, vale lembrar que a COP é o espaço institucional e internacional mais relevante em toda a discussão sobre clima e meio ambiente. A discussão tá até na ONU!

Assim, é possível entender a importância de colocar as mulheres no centro da resistência e das políticas públicas de combate à crise climática. Por serem as mais afetadas, há anos meninas e mulheres estão na linha de frente de combate e de resistência a essa emergência iminente. Somente com a devida atenção a essa intersecção clima-mulheres será possível pensar e criar medidas, de fato, efetivas para combater as mudanças climáticas, seja a partir da mitigação ou a partir da adaptação.

Dessa forma, parafraseando o movimento feminista, concluo por aqui dizendo: a resistência à emergência climática será feminista. Ou não será.


Luiza Moura é estudante de relações internacionais na PUC-SP e ativista socioambiental

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