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A lua, o universo e um presente de casamento

Texto e foto da home: Thaciana de Sousa Santos

A turma que foi observar a lua (foto: arquivo pessoal)

Voltei para mais um texto e já quero adiantar que o caderno de dados (comentei sobre ele no último texto) deu certo. Entregamos, fizemos as provas que estavam marcadas e deu tudo (quase) certo. A prova de Cálculo 1 foi um horror, mas ainda posso fazer a prova de recuperação e substituir a nota.

Com todo o cansaço das provas, locomoção e esgotamento mental, eu e uns amigos da faculdade resolvemos fazer algo para aproveitar o momento que vivemos, de certa forma, estão todos seguindo o seu sonho. Bom, resolvemos marcar um dia para observar a lua. Dia marcado, a lua estaria linda, aconteceria a Superlua dos Cervos, mas, infelizmente, nós não tivemos a sorte de ter uma visão clara.

Todos os dias estava um sol lindo, o céu limpinho, uma beleza que só! Mas logo no dia marcado, o tempo estava fechado, encoberto, até garoou. Imagina a decepção de todos e o pior, no dia seguinte, o tempo estava aberto, com sol, sem nuvens. Foi até engraçado, fui até a faculdade com o telescópio, nas estações de trem e metrô foi o pior, saí atropelando todo mundo com aquela caixa e, no fim, quase não conseguimos ver.

Apesar de não conseguirmos observar muito, foi um momento em que eu me senti livre das obrigações da faculdade. Tem sido cansativo, e eu sei que não sou a única me sentindo assim. Claro que todos ficaram decepcionados, mas tudo bem, depois das férias podemos marcar de novo e olhar a previsão do tempo antes, para evitar outra surpresa dessa.

Mesmo com o contratempo, nós conversamos, rimos, escutamos músicas e logo na hora de ir embora, fomos jogar vôlei, ou tentamos. Foi um momento que eu não trocaria por nada. Sinto que finalmente estou no lugar certo, com pessoas que me entendem, que compartilham das mesmas escolhas.

Existem tantas coisas no universo que não apreciamos e que tratamos como se não fossem magníficas! As imagens do telescópio James Webb comprovam ainda mais o quão pequenos nós somos. É tudo uma correria, sempre temos algo para fazer, e nos esquecemos que existe uma imensidão lá fora e da qual não procuramos saber.

A beleza da vida está diante dos nossos olhos e sempre que eu consigo observar a lua através do telescópio, eu percebo o poder da ciência, o quanto transforma vidas e aproxima pessoas. Depois de toda essa experiência, pensei sobre o meu lugar na ciência.

No último final de semana, uma amiga minha se casou, a Ingrid Santana Eu sabia quão nervosa ela estava e também sei o quanto ela gosta de observar o céu, e quem não? Então, eu desci na calçada da minha casa com o telescópio e pedi para ela passar ali. Quando ela chegou e viu o que era, os olhos dela brilharam, e foi ali que eu percebi o meu lugar na ciência. Mesmo faltando 4 anos e meio para me formar, não quero esperar até lá para fazer a diferença. Eu posso transformar a vida das pessoas agora, porque há quem ame o universo, assim como eu.

Nesse momento, estou em um turbilhão de sentimentos, pensando em provas e em projetos para mudar o mundo através de uma varanda.

Eu me despeço aqui, cheia de alegria, de planos e de sonhos. Espero vocês na próxima terça-feira!


Thaciana de Sousa Santos, a Tatá, é estudante de graduação do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e escreve semanalmente para o Ciência na Rua

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