Programinha fácil, gratuito e altamente estimulante deste fim de semana para soteropolitanos ou visitantes de passagem por Salvador que, quase inevitavelmente, chegam até o Farol da Barra, um dos grandes cartões postais da cidade: visitar o caminhão da exposição itinerante do Museu da Língua Portuguesa. Sim, o extraordinário museu paulistano em recuperação.

Mariluce Moura | Ciência na Rua

Imagens projetadas do museu na lateral do caminhão

As pessoas olham aquele caminhão preto, enorme, e imaginam que é o começo de uma estrutura para o palco de algum grande show musical, até porque o Farol da Barra sofre desse intrigante mal: as coisas simplesmente se plantam ali sem ninguém explicar muito aos circunstantes e a outros mais distantes o que são.

Não, nada de terrivelmente barulhento vai acontecer até amanhã ali – sim, a exposição itinerante fica só até amanhã, domingo, às 19 horas. Mesinhas com cadeiras infantis e estantes de livros no espaço em torno são uma dica nesse sentido. E logo monitores convidam os passantes, adultos e crianças, a entrar.

O que há lá dentro? Logo de cara, em um espaço que poderíamos chamar de hall, uma espécie de mapa ilustrativo dos países falantes da língua portuguesa. E se o visitante põe um par de fones na cabeça e depois olha através de um equipamento visual, apontando para cada país nas paredes que o cercam, logo receberá imagens e informações da nação visada. Puro aprendizado ou reaprendizado lúdico!

Mariluce Moura | Ciência na Rua

Visões dos países lusófonos num caminhão estacionado aos pés do Farol

Adiante, numa parede há painéis sobre falares do português ao longo do tempo, audíveis também por fones e, na que lhe fica em frente, curiosas expressões idiomáticas como “sem eira nem beira” ou “Inês é morta”. Se se desliza sobre elas um painel acrílico, nele mesmo aparece a explicação da gênese de cada expressão mirada. Divertido também é você escolher uma frase que está programada num painel de sotaques, repeti-la de seu jeito e escolher se quer tê-la com sotaque de Portugal, gaúcho, do Ceará…

Mais divertido no final do percurso é um jogo em que você precisa ouvir palavras com os indefectíveis fones e escrevê-las corretamente num painel eletrônico cheio de letras para ganhar um livro que cai do equipamento, se a jornada foi bem-sucedida. São cinco chances para acertar duas palavras, mas, se você acertar de cara as duas primeiras, já ganha, claro.  Para mim chegaram logo sustentabilidade e nódoa e eu ganhei um Machado de Assis dos maiores: Memórias póstumas de Brás Cubas. A incursão que já era boa, ficou ainda melhor.

Mariluce Moura | Ciência na Rua

Presentinhos de visita, cartaz manuscrito e um Machado

Ah, e por fim, ganhei um cartaz feito por uma calígrafa gaúcha, Adriana Schons (não seria eu repórter sem contar o nome dela!) que está viajando com a exposição. Podia ser a frase que eu quisesse, de preferência com até cinco palavras, e escolhi a que falara lá dentro pedindo um sotaque português: Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, de nosso grande poeta português Fernando Pessoa. Um pouquinho maior do que o recomendável, mas coube no cartaz.

————————————————-

Serviço: o belíssimo Museu da Língua Portuguesa, interativo, foi inaugurado em 2006, no histórico edifício Estação da Luz, no bairro da Luz, em São Paulo, perto da Pinacoteca, da Sala São Paulo, do Memorial da Resistência, entre outros monumentos arquitetônicos e instituições culturais ali reunidos. Em 21 de dezembro de 2015, um incêndio de grandes proporções quase o destruiu totalmente. Entretanto, em pouco tempo sua recuperação foi iniciada numa parceria entre governo estadual, governo federal e empresas privadas e, em 2019, o Museu deverá ser reaberto à visitação do público.

A exposição itinerante que está em Salvador por apenas dois dias, esteve antes em São Paulo, na Bienal do Livro, depois em duas cidades serranas do Espírito Santo, e de Salvador segue para Fortaleza. Ela é bancada pela empresa de energia EDP e pela Fundação Roberto Marinho.