Ill. Niklas Elmehed. © Nobel Media

Arthur Ashkin

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Gérard Mourou

O Instituto Karolinska anunciou hoje os vencedores do Prêmio Nobel de Física de 2018: Arthur Ashkin, Gérard Mourou e Donna Strickland, por invenções inovadoras no campo da física dos lasers. Ashkin, um norte-americano de 96 anos, levou metade do prêmio de 9 milhões de coroas suecas por ter criado pinças ópticas com vasta aplicação em sistemas biológicos. Strickland, canadense, 59 anos, e Mourou, francês, 74, dividiram a outra metade por terem criado um método de gerar pulsos ópticos ultracurtos de alta intensidade.

As pinças ópticas criadas por Ahskin podem pegar partículas, átomos, além de vírus e outras células vivas. Isso é, usar a pressão da radiação da luz para mover objetos físicos, antigo sonho da ficção científica. Em 1987, ele usou essas pinças para capturar bactérias sem afetá-las, técnica que se difundiu e é hoje muito usada para investigar o funcionamento da vida.

Ill. Niklas Elmehed. © Nobel Media

Donna Strickland

Strickland e Mourou abriram caminho para a criação dos pulsos laser mais curtos e intensos com um artigo revolucionário em 1985, que foi a base da tese de doutorado dela. Usando uma abordagem engenhosa, conseguiram criar pulsos de laser ultracurtos e de alta intensidade sem destruir o material amplificador. Primeiro eles esticaram um pulso, de forma a diminuir sua potência de pico (a potência que o aparelho aguenta), depois o amplificaram e finalmente o comprimiram, Isso compacta mais luz em um mesmo espaço minúsculo, aumentando enormemente sua intensidade. Essa técnica se tornou padrão para lasers de alta intensidade, e seu uso inclui as milhões cirurgias nos olhos realizadas todos os anos.

Vale destacar ainda que Donna Strickland – que chegou a ser recusada pela Wikipedia por “não ser famosa o suficiente” – é apenas a terceira mulher a ser premiada na categoria desde 1901, as outras foram Maria Goeppert-Mayer, em 1963, e, claro, Marie Curie, em 1903.