Site de estudantes de jornalismo mostra a presença feminina nas ciênciasMulheres na ciência

Site de estudantes de jornalismo mostra a presença feminina nas ciências

Ana Flavia Monteiro, Andressa Moraes, João Victor Siqueira, Natália Nunes e Pamella Massola acabaram de entregar e defender o Trabalho de Conclusão de Curso na Universidade Anhembi Morumbi.

Curiosamente, o grupo formado por maioria feminina não representa a configuração mais comum nas pesquisas acadêmicas e, aliás, o trabalho deles é justamente sobre a presença feminina nas ciências.

Durante todo o ano, os cinco buscaram dados e explicações sobre a diferença na participação das mulheres nas pesquisas e na produção de conhecimento. Queriam entender por que esse universo é ainda masculino, apesar das investidas das mestres e doutoras.

O resultado foi o site Mulheres na Ciência, que oferece números e análises sobre as cientistas, suas histórias e projetos, além de uma linha história com pesquisadoras brasileiras destacadas.

O trabalho começou num susto. “Um dia, por acaso, me deparei com uma pesquisa que falava sobre a desigualdade de gênero nessa área e achei os dados bem expressivos, mas não encontrei muitas explicações a respeito. Mapeamos as principais matérias sobre o assunto na mídia e constatamos que não haviam reportagens que se aprofundassem no assunto”, conta João, o bendito fruto entre as mulheres.

Desigualdade na participação das mulheresMulheres na ciência

Desigualdade na participação das mulheres

“Outra pesquisa, feita pelo Boston Consulting Group, em 2014, aponta que uma jovem que se forma no ensino médio tem 35% de probabilidade de seguir uma graduação em área científica, 18% de chance de se formar, 8% de fazer um mestrado e 2% de se tornar uma doutora em Ciência. Já para o público masculino, os números passam respectivamente para, 77%, 37%, 19% e 6%, ou seja, a chance de um homem se tornar um doutor em ciência é 2 vezes maior do que uma mulher.”, diz o segundo parágrafo do texto inicial.

A dupla jornada – trabalho e casa – é uma das razões mais citadas pelos entrevistados do grupo para a mulher se afastar da academia. “Isso reflete na decisão profissional das jovens, como mostra um especial da Revista Unesp Ciência, que apresenta os dados da distribuição feminina nas áreas do conhecimento. Segundo a análise, no Brasil, no campo de Linguística, Letras e Artes elas chegam a 67% e em Ciências da Saúde, a 60%. Já em Ciências Exatas, no entanto, representam apenas 33%, e em Engenharias 26%.”, escrevem.

“Nós criamos o Mulheres na Ciência com o objetivo de atingir mulheres entre 16 e 60 anos, que tenham a ciência como interesse e gostariam de conhecer exemplos de sucesso na área”, conta Pamella. Para isso, a escolha do grupo foi apresentar o conteúdo de forma dinâmica e interativa, com gráficos animados e gifs interativos.

A ideia é usar esses recursos para chegar às trajetórias das cientistas. “Essas mulheres desenvolveram projetos muito interessantes e marcaram suas áreas de atuação, então achamos seria interessante contar essas histórias e mostrar quem são as brasileiras que estão fazendo ciência mundo a fora”, explica Ana Flavia.

Por isso, na reportagem, eles apresentam duas astrônomas, uma bióloga, uma neurocirurgiã e uma química com contribuições significativas para suas áreas de atuação que romperam com o destino esperado e fazem ciência de primeira linha.

O grupo logo depois da defesa do TCCAna Flavia Monteiro

O grupo logo depois da defesa do TCC

Quem visita o site, ainda pode conhecer uma linha do tempo da pesquisa feita por mulheres no mundo todo. Com fotos, imagens e informação sobre seus trabalhos.

A equipe da Universidade Anhembi Morumbi, orientada pelo prof. Whaner Endo, quer seguir com o site no ar e continuar abastecendo e completando com novas informações. “Estamos trabalhando na divulgação do projeto agora e esperamos que ele sirva como referência para as meninas que desejam seguir carreira na área da ciência e também para aquelas que já trabalham na área. A ideia é que o “Mulheres na Ciência” sirva de inspiração para essas meninas e que dê visibilidade aos projetos incríveis desenvolvidos por cientistas brasileiras”, conclui Natália.