No último domingo, dia 24/6, participei de um evento fabuloso que aconteceu na Avenida Paulista, por iniciativa do Via Saber, que colocou cientistas em contato direto com a população. Durante três horas, das 15h às 18h, respondi perguntas sem parar sobre diversos tópicos em Física e interagi com pessoas de várias faixas etárias, níveis de escolaridade e estratos sociais. Crianças, adolescentes, jovens, grupos familiares, grupos de amigos, namorados, estudantes, curiosos, tinha de tudo um pouco. Muitos vindos do interior do Estado de São Paulo.

Praticamente desde o começo do evento, formou-se uma fila na frente da minha mesa com pessoas que pacientemente esperaram a sua vez para perguntar alguma coisa, qualquer coisa. Foram tantas as perguntas e tão diversificadas, que temo apenas recordar uma pequena fração. Porém acredito que seja o suficiente para demostrar a diversidade de interesses e o caráter sofisticado e não trivial de muitas das indagações.

Algumas pessoas mostraram curiosidade em saber sobre os avanços da Física atual: O que é a partícula de Higgs? E possível viajar no tempo? Já é possível realizar teletransporte? Existe antimatéria? Qual a diferença entre matéria escura e energia escura? O que foi o Big-Bang? Buracos negros existem? O que são ondas gravitacionais? Já se comprovou a Teoria de Cordas?

Outras fizeram perguntas sobre a Física que não compreendem: Por que um carro protege os seus ocupantes quando esse recebe um raio de eletricidade, mas um telefone celular tem sinal dentro desse mesmo carro? Por que o demônio de Maxwell não viola a segunda-lei da termodinâmica? Qual a relação entre a segunda-lei da termodinâmica e a teoria da informação? Por que um ímã atrai certos metais e outros não? Como funciona o GPS? O que é o spin?

Perguntaram também sobre conceitos fundamentais da Física como: O que é energia? Outras ainda quiseram saber sobre o papel dos cientistas brasileiros no mundo, se o que fazemos aqui no Brasil tem relevância no contexto internacional, se de fato é possível desenvolver ciência no país. Foi com grande espanto que algumas pessoas descobriram que pesquisadores brasileiros, por exemplo, participaram da descoberta da partícula Higgs juntamente com cientistas de outros países nos experimentos do LHC no CERN.

Foi uma experiência incrível! A meu ver serviu não só como um meio de transmitir diretamente à sociedade o conhecimento hoje criado nas Universidades e o conhecimento acumulado pelos físicos ao longo de várias gerações, assim como uma forma de fomentar a curiosidade e de despertar vocações. Esse tipo de atividade que aproxima a comunidade científica da sociedade também é muito prazerosa para o cientista que sempre se empolga em dividir, como Richard Feynamn, the pleasure of finding things out.

**Renata Funchal é graduada em Física pela Universidade de São Paulo e doutora em Física pela Université de Paris XI/Collège de France (Paris, França). Atualmente é professora titular do Departamento de Física Matemática do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Trabalha com Física de Altas Energias e Fenomenologia de Partículas.