Quimica – um Nobel para as menores máquinas do mundo

Mariluce Moura | 05 de outubro de 2016

Máquinas moleculares, as menores máquinas do mundo, cerca de mil vezes menores que a espessura de um fio de cabelo (dá para imaginar???!!!!), valeram o Prêmio Nobel de Química de 2016  aos cientistas Jean-Pierre Sauvage, Sir J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa, anunciou a Academia Real de Ciências da Suécia, em Estocolmo, nesta quarta feira.

Os três cientistas, um francês, um norte-americano e um holandês, desenvolveram moléculas com movimentos controlados que, com um impulso de energia, podem realizar determinadas tarefas. Quais? Provavelmente elas serão “usadas no desenvolvimento de novos materiais, sensores e sistemas de armazenamento de energia”, informou em nota a Academia sueca.

Por enquanto, ainda segundo a Academia, o motor molecular está no mesmo estágio que o motor elétrico estava nos anos 1830, quando os cientistas exibiam várias rodas e manivelas rodando, sem saber que elas levariam ao desenvolvimento de trens elétricos e outros equipamentos que se tornaram essenciais na atualidade.

Foi o francês Sauvage, 72 anos, professor da Universidade de Strasbourg, quem deu 33 anos atrás o primeiro passo no desenvolvimento das máquinas moleculares, quando conseguiu ligar duas moléculas em forma de anel de modo a formar uma corrente.

As moléculas em geral se ligam umas às outras quimicamente, com seus átomos compartilhando elétrons. Mas Sauvage obteve uma ligação mecânica, mais livre do que a química, um achado essencial para que uma máquina conseguir realizar tarefas, ao permitir que  partes suas possam se mover em relação às outras.

Oito anos mais tarde, em 1991, o inglês Fraser Stoddart, 74 anos, professor da Universidade Northwestern, no estado americano de Illinois, conseguiu rosquear um desses anéis moleculares em um pequeno eixo molecular e demonstrou que o anel conseguia se mexer ao redor do eixo. Com esse mecanismo, ele conseguiu desenvolver um chip de computador com base molecular, entre outras coisas.

Finalmente, em 1999, o holandês Feringa, 66 anos, professor da Universidade de Groningen, foi o pioneiro no desenvolvimento de um motor molecular. Ele conseguiu fazer com que uma pá de rotor molecular girasse continuamente na mesma direção e usando esse tipo de motor, conseguiu rodar um cilindro de vidro 10 mil vezes maior que o motor.

 



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