Plano de R$1,2 bilhão para pesquisa de zika se baseou nas propostas da comunidade científica

Mariluce Moura | 25 de março de 2016
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Diante de representantes da comunidade científica do país, de gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia e ladeada, entre outros, por dois ministros ligados ao PMDB, Celso Pansera, da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Celso Castro, da Saúde, a presidente Dilma Rousseff anunciou no fim da manhã da quarta feira, 23, em cerimônia no Palácio do Planalto, investimentos totais de R$1,2 bilhão na parte de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e educação do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia.

Num reconhecimento de que o país deve exercer um protagonismo nessa área, como já insistira um coro de vozes da comunidade científica, Dilma Roussef afirmou ainda que “as pesquisas e os trabalhos pioneiros colocam o Brasil no centro das atenções”.  Cabe assim ao governo “dar todas as condições para que esse trabalho se coloque em novos patamares”.

 “O nosso objetivo é avançar no conhecimento sobre o vírus zika, na oferta de diagnósticos, vacinas e medicamentos. Precisamos saber que medidas são mais efetivas para evitar que o feto de uma gestante desenvolva microcefalia, quais as razões para que algumas pessoas tenham formas mais graves da doença, e o que fazer para evitar estes agravos”, disse a presidente. Acrescentou que “precisamos também de novos métodos para combater o mosquito transmissor da doença”.

De certa forma, a presidente resumiu e formalizou em sua fala os pontos que vinham sendo detalhados há cerca de quatro meses para esse plano nacional, primeiro por um grupo de trabalho formado a pedido do MCTI por cientistas de todo o país, sob a coordenação de Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, do Pará, e depois pelo próprio pessoal do Ministério e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em especial o secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do MCTI, Jailson Bittencourt de Andrade, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o presidente do Conselho, Hernan Chaimovich, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Esses pontos, aliás, estão muito próximos daqueles seis que, de acordo com comentário publicado no periódico britânico Lancet em 23 de fevereiro passado, deveriam compor uma agenda científica para enfrentar o vírus Zika e a epidemia de microcefalia ou outros problemas neurológicos no país a ele aparentemente associados (ver http://ciencianarua.net/os-seis-pontos-do-plano-estrategico-contra-zika-e-a-microcefalia/).

Os autores eram oito pesquisadores de vários centros brasileiros liderados pelo epidemiologista Maurício Barreto, pesquisador da Fiocruz e professor da UFBA, que atuava então como vice-coordenador do grupo de trabalho formado pelo MCTI.

Tudo isso sugere que aquilo que foi sendo vocalizado e, sobretudo, efetivamente feito pela comunidade científica do país, a partir do momento em que o ministro da Saúde anunciou, em novembro passado que uma epidemia em curso do Zika vírus  já constituía uma emergência de saúde pública nacional, de fato, embasou os investimentos anunciados ontem pelo governo.

“O governo reagiu positivamente e isso é muito bom, mesmo que a reação tenha demorado a acontecer”, comemorou Maurício Barreto. Não está muito claro ainda, em sua visão, que parte dos investimentos anunciados irá para ciência e tecnologia, quanto estará alocado, por exemplo, em editais do CNPq, porque as ações ainda aparecerem muito misturadas nos discursos feitos pela presidente e pelos ministros na quarta feira.

Pelo anúncio oficial, R$649 milhões devem ser investidos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, dos quais 93% devem ser aplicados até o final de 2018. Além disso, o governo deve disponibilizar R$550 milhões em crédito na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  “para financiar a geração, a adoção e a comercialização de novas tecnologias”.

Editais devem ser lançados pelas agências federais de fomento à pesquisa em curto prazo, embora vozes críticas observem que nesse momento elas se encontram literalmente à míngua, em particular o CNPq e, especialmente, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ligada ao Ministério da Educação, até três anos a Capes dispunha de uma invejável disponibilidade de recursos para seus programas e projetos ou, dizem os mais ácidos, para seus gastos perdulários.

De qualquer sorte, o presidente do CNPq informa que tem uma expectativa muito firme de que a agência em curtíssimo prazo já conte com R$20 milhões para os editais ligados ao Zika. E diz ainda que todo o plano de aplicação dos recursos via editais, por agência individualmente ou reunindo duas ou mais delas, está praticamente finalizado e logo poderá ser divulgado.

O curioso nessa história toda é que fontes de Brasília estão convencidas de que hoje, no Brasil, não é difícil que cerca de R$2 bilhões já estejam sendo investidos na pesquisa de zika por grupos de pesquisa espalhados pelo país inteiro. Como? Diante da emergência ou da urgência do problema do Zika, muitos laboratórios por conta própria aparentemente redirecionaram recursos originalmente voltados a outros alvos para esse vírus, seu vetor, testes diagnósticos, vacinas, etc. Certamente eles vão repor recursos dos editais de zika em outras pesquisas que foram abaladas por essa ação emergencial.

Há também recursos que foram ou estão sendo postos pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa. Por exemplo, ao montante que já direcionara nos últimos meses para a pesquisa nessa área, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) adicionou nos últimos dias R$5 milhões só para pesquisa inovativa sobre zika, levada a efeito por empresas. E a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) lançou recentemente um edital para pesquisa básica ou aplicada sobre zika disponibilizando também R$5 milhões.

Diante de representantes da comunidade científica do país, de gestores do sistema nacional de ciência e tecnologia e ladeada, entre outros, por dois ministros ligados ao PMDB, Celso Pansera, da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Celso Castro, da Saúde, a presidente Dilma Rousseff anunciou no fim da manhã da quarta feira, 23, em cerimônia no Palácio do Planalto, investimentos totais de R$1,2 bilhão na parte de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e educação do Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia.

Num reconhecimento de que o país deve exercer um protagonismo nessa área, como já insistira um coro de vozes da comunidade científica, Dilma Roussef afirmou ainda que “as pesquisas e os trabalhos pioneiros colocam o Brasil no centro das atenções”.  Cabe assim ao governo “dar todas as condições para que esse trabalho se coloque em novos patamares”.

 “O nosso objetivo é avançar no conhecimento sobre o vírus zika, na oferta de diagnósticos, vacinas e medicamentos. Precisamos saber que medidas são mais efetivas para evitar que o feto de uma gestante desenvolva microcefalia, quais as razões para que algumas pessoas tenham formas mais graves da doença, e o que fazer para evitar estes agravos”, disse a presidente. Acrescentou que “precisamos também de novos métodos para combater o mosquito transmissor da doença”.

De certa forma, a presidente resumiu e formalizou em sua fala os pontos que vinham sendo detalhados há cerca de quatro meses para esse plano nacional, primeiro por um grupo de trabalho formado a pedido do MCTI por cientistas de todo o país, sob a coordenação de Pedro Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas, do Pará, e depois pelo próprio pessoal do Ministério e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em especial o secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do MCTI, Jailson Bittencourt de Andrade, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o presidente do Conselho, Hernan Chaimovich, professor da Universidade de São Paulo (USP).

Esses pontos, aliás, estão muito próximos daqueles seis que, de acordo com comentário publicado no periódico britânico Lancet em 23 de fevereiro passado, deveriam compor uma agenda científica para enfrentar o vírus Zika e a epidemia de microcefalia ou outros problemas neurológicos no país a ele aparentemente associados (ver http://ciencianarua.net/os-seis-pontos-do-plano-estrategico-contra-zika-e-a-microcefalia/).

Os autores eram oito pesquisadores de vários centros brasileiros liderados pelo epidemiologista Maurício Barreto, pesquisador da Fiocruz e professor da UFBA, que atuava então como vice-coordenador do grupo de trabalho formado pelo MCTI.

Tudo isso sugere que aquilo que foi sendo vocalizado e, sobretudo, efetivamente feito pela comunidade científica do país, a partir do momento em que o ministro da Saúde anunciou, em novembro passado que uma epidemia em curso do Zika vírus  já constituía uma emergência de saúde pública nacional, de fato, embasou os investimentos anunciados ontem pelo governo.

“O governo reagiu positivamente e isso é muito bom, mesmo que a reação tenha demorado a acontecer”, comemorou Maurício Barreto. Não está muito claro ainda, em sua visão, que parte dos investimentos anunciados irá para ciência e tecnologia, quanto estará alocado, por exemplo, em editais do CNPq, porque as ações ainda aparecerem muito misturadas nos discursos feitos pela presidente e pelos ministros na quarta feira.

Pelo anúncio oficial, R$649 milhões devem ser investidos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, dos quais 93% devem ser aplicados até o final de 2018. Além disso, o governo deve disponibilizar R$550 milhões em crédito na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  “para financiar a geração, a adoção e a comercialização de novas tecnologias”.

Editais devem ser lançados pelas agências federais de fomento à pesquisa em curto prazo, embora vozes críticas observem que nesse momento elas se encontram literalmente à míngua, em particular o CNPq e, especialmente, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ligada ao Ministério da Educação, até três anos a Capes dispunha de uma invejável disponibilidade de recursos para seus programas e projetos ou, dizem os mais ácidos, para seus gastos perdulários.

De qualquer sorte, o presidente do CNPq informa que tem uma expectativa muito firme de que a agência em curtíssimo prazo já conte com R$20 milhões para os editais ligados ao Zika. E diz ainda que todo o plano de aplicação dos recursos via editais, por agência individualmente ou reunindo duas ou mais delas, está praticamente finalizado e logo poderá ser divulgado.

O curioso nessa história toda é que fontes de Brasília estão convencidas de que hoje, no Brasil, não é difícil que cerca de R$2 bilhões já estejam sendo investidos na pesquisa de zika por grupos de pesquisa espalhados pelo país inteiro. Como? Diante da emergência ou da urgência do problema do Zika, muitos laboratórios por conta própria aparentemente redirecionaram recursos originalmente voltados a outros alvos para esse vírus, seu vetor, testes diagnósticos, vacinas, etc. Certamente eles vão repor recursos dos editais de zika em outras pesquisas que foram abaladas por essa ação emergencial.

Há também recursos que foram ou estão sendo postos pelas fundações estaduais de amparo à pesquisa. Por exemplo, ao montante que já direcionara nos últimos meses para a pesquisa nessa área, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) adicionou nos últimos dias R$5 milhões só para pesquisa inovativa sobre zika, levada a efeito por empresas. E a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) lançou recentemente um edital para pesquisa básica ou aplicada sobre zika disponibilizando também R$5 milhões.



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