Para inovar, vale mais ouvir e perguntar do que falar e responder

Glauco Arbix | 07 de janeiro de 2016

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Para falar a língua da inovação, é preciso investir nas pessoas, na sua formação e capacitação permanente. Gente qualificada pensa mais facilmente “fora da caixa”. Por isso, é chave aguçar todos os sentidos, os da sua empresa e de seus funcionários, e conviver à vontade com as novas ideias.

O Brasil sofre mais do que outros países por conta da baixa produtividade de sua economia. Que não se resolve com mágica. Mas com esforço concentrado para educar as pessoas. Sem isso não teremos uma sociedade inovadora, que libere a engenhosidade nas escolas, em nossas casas e nas empresas. Uma economia dinâmica é geradora de bons empregos. Não é simples, todos sabemos, mas tampouco é um bicho de sete cabeças.

Está mais do que na hora do Brasil consolidar um consenso: inovação não é alternativa, é necessidade. Sem essa compreensão, as dificuldades para quem quer inovar continuarão povoando nossas cabeças. Ou será que é possível sonhar com o sucesso sem se enredar na precária infraestrutura, na carga de impostos, nas ambiguidades legais e na burocracia sem fim. O custo excessivo que atormenta nossas mentes e nossas empresas, em especial as pequenas, só aumenta a insegurança que normalmente faz parte das atividades inovadoras.
Para amenizar um pouquinho essa turbulência diária, pode ser útil a leitura rápida de um roteiro despretensioso de cinco pontos, que talvez sirvam de apoio a todos os que desejam manter viva a esperança de inovar neste 2016.

1. Inovação não é luxo. Toda inovação irradia energia, areja as empresas, sacode as chefias. Uma empresa dinâmica, eleva a competição e provoca a concorrência. Ao atender necessidade de seus clientes, a inovação ajuda as empresas a crescer mais rapidamente. Mais do que isso, empurra a economia para os melhores empregos e renda mais alta.

2. Cabeça aberta. Inovação acontece na encruzilhada, com gente que pensa diferente, que não fica à vontade sempre fazendo mais do mesmo. Mas não é coisa de gênio que, diga-se de passagem, só existe na casa dos outros. As empresas inovadoras são as mais abertas, tolerantes, diversificadas. Contam com os de dentro, mas sabem buscar parceiros fora. Neste caso, fazer alianças é sinal de força, não de fraqueza.

3. High-tech, low-tech, no-tech. A maioria esmagadora das empresas que inovam não possui departamentos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). E, mais importante, talvez nunca precisem criá-los. Por isso, antes de pensar em tecnologia, as empresas inovadoras dialogam com seus funcionários e ajudam seus gestores a aprender a ouvir. Sem isso, não há talento que sobreviva.

4. 24 horas. Pesquisas recentes mostram que método e disciplina facilitam a inovação. E muito. As empresas que buscam resultados não podem se transformar em samba de uma nota só. Precisam ir atrás da inovação regularmente. Se quiserem crescer, claro.

5. Evolução. Produtos complexos também podem ser copiados. E muitas vezes, copiar para aprender a fazer, é essencial. Economias que hoje exibem alta performance usaram e abusaram da cópia. Mas é bom lembrar, além da aprendizagem, a cópia ajuda mesmo quando incorpora algum valor novo. Ou seja, quando se torna inovação.
Nada disso é fácil de fazer. Mas tudo fica mais difícil quando a realidade é pintada como o fim do mundo. Aprender a ouvir e perguntar com tranquilidade, mais do que falar e responder, quase sempre ajuda a controlar o prato requentado do pânico. Que só é bom na TV. Se é que é.


Glauco Arbix é professor da USP, pesquisador do Observatório da inovação do IEA-USP.



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