O que rola

Fernanda Pompeu | 24 de março de 2016

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Nesta altura da história, aos dezesseis anos do século 21, não há quem acredite que o coração seja a casa das emoções e o cérebro o jardim das razões. Salvo os poetas. Eles seguem insistindo que pessoas são estrelas e destinos rios que correm.

Também há evidências: poesia e ciência muitas vezes se tocam. Não deve ser à toa que o Dia Mundial da Poesia, 21 de março, anteceda o 22 de março quando comemoramos o Dia Mundial da Água. São mundiais pela razão de serem água e poesia produtos de primeira necessidade para todos na Terra.

Aliás, a água é exemplo incrível da intersecção sentimento-razão. Seriam necessárias páginas e páginas para registrar suas simbologias. Algumas são: nascimento, ressureição, abundância, purificação, batismo, iniciação, agricultura, fecundação, parto, viagem, travessia, feminino, vida.

Já para a poesia seriam necessários livros e livros para evocar seus símbolos. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), no poema Procura da Poesia escreveu: “(…) As palavras, ainda úmidas e impregnadas de sono, rolam num rio difícil (…)”.

A água, H2O – 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio – é percebida por todos os seres vivos como essencial à sobrevivência. Podemos ficar sem eletricidade, internet, televisão, smartphone, hambúrgueres. Mas com a ausência da água morremos em dias. Se você for peixe, em minutos.

É fundamental desde a infância aprender o bê-á-bá: cuide da água pois ela é bem essencial e finito. Mas entendê-la e curti-la nas suas várias implicações e representações é a melhor forma de protegê-la. Ser guerreiro pela natureza só é possível mobilizando poesia e ciência. Afinal, são rios doces e sanguíneos que passam pelas portas e aortas.


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Fernanda Pompeu é webcronista louca por ciência.



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