O NEU tem muitas histórias de sucesso para contar

Ciência na rua | 07 de janeiro de 2016

O bem sucedido Núcleo de Empreendedorismo da USP (NEU) foi uma iniciativa de baixo pra cima, um movimento grassroot, digamos assim, explica Ary Plonski, coordenador científico do Núcleo de Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP).

O NEU nasceu há cerca de quatro anos como um grupo virtual formado espontaneamente por estudantes e só em 2014 se instalou no Laboratório de Engenharia da Inovação da Escola Politécnica. Neste curto percurso, desenvolveu ou deu suporte ao desenvolvimento de dezenas de aplicativos e outras ferramentas, entre os quais se inclui o famoso 99Taxis, um sucesso inquestionável.

Plonski, um professor e engenheiro envolvido profundamente com a promoção da inovação tecnológica no país pelo menos há duas décadas, conta que tomou conhecimento do NEU por um cartaz afixado numa parede da FEA, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP.

A mensagem do cartaz era um convite para uma palestra de Fernando Reinach, biólogo molecular e professor da USP que se tornou um executivo de fundos de investimento para inovação, e que falaria justamente sobre o Fundo Pitanga.

Final da tarde, a sala da Congregação da FEA estava tomada por uns 100 rapazes e moças que queriam saber tudo do Fundo Pitanga e de recursos para inovar e empreender.
Já em 2014, na disciplina “Criação de empresas de base tecnológica” que ministrava na FEA, Plonski teve Artur Tavares, um dos idealizadores do NEU, entre seus alunos. E num determinado momento o convidou para fazer uma palestra no curso “Projeto Integrado de Sistemas de Produção”, que dava na Poli. “Era um curso para preparar os estudantes para o mundo externo, abri-los para alternativas de trabalho fora das rotas tradicionais”, ele observa.

Artur deu a palestra, adiante virou monitor dessa disciplina, depois partiu para o mestrado profissional orientado por Plonski e segue adiante, entre outras coisas, como coordenador do NEU e seus múltiplos projetos.

.“O que acho muito importante ressaltar é que o NEU traduz o protagonismo da moçada como atitude e comportamento. Ele está empreendendo o empreendedorismo na universidade, o que a torna ainda mais relevante para a sociedade”, diz Plonski.

Ciência na rua pediu a Artur Tavares que falasse do que julga ser os grandes sucessos do NEU. Ele dividiu a tarefa com Mauricio Lyrio Carneiro e Juliana Uechi.
Portanto, a partir deste ponto a narrativa cheia de jovens personagens é deles:

 

Lean Survey

 

lean-survey-logoFernando Salaroli, 25, é formado em Engenharia Civil e Alessandro Tieppo, 24, em Engenharia de Produção, ambos pela Escola Politécnica da USP. Os dois são amigos desde o começo da faculdade e largaram suas promissoras carreiras no mercado financeiro para empreender. A ideia surgiu a partir de uma primeira tentativa frustrada de criar um aplicativo social para unir pessoas com o mesmo interesse em áreas próximas e vender dados de usuários para empresas de marketing. Logo perceberam que ninguém tinha interesse nesse produto, mas ali viram uma oportunidade: o mercado de pesquisas de opinião era bem deficiente, caro e passível de muitas fraudes.

Com o espaço de coworking oferecido pelo Inovalab e o suporte do NEU, surgiram os primeiros insights do que hoje é a Lean Survey. As convencionais pranchetas e pesquisas no papel foram substituídas por smartphones e qualquer pessoa pode se tornar um pesquisador e ganhar entre R$200 e R$300 em média por trabalho. Além disso, como a apuração das pesquisas é digital, ela é muito mais rápida, eficiente e confiável.

A Lean Survey realizou as primeiras pesquisas na USP, na mesma época, foi premiada numa competição de startups, o que resultou na conquista de um primeiro investimento de R$300 mil.
Atualmente, a plataforma da Lean Survey tem mais de 3.000 usuários em todo o país, 10 funcionários e atende a grandes clientes como Ambev, Telefônica e Portal Terra. Em 2016 pretendem lançar uma plataforma exclusiva para empresas e expandir para outros países.

 

Cuide.me

 

cuideme-logoEm 2013, depois de vivenciar a dificuldade de encontrar bons cuidadores para entes queridos, Gabriel Yamate, 26, fisioterapeuta formado pela USP, decidiu fazer alguma coisa. A ideia era simples: usar tecnologia e conhecimento em saúde para oferecer serviços de alta qualidade a um preço mais acessível do que agências tradicionais e remunerando os cuidadores acima da média do mercado.

Foi nesse momento que o Gabriel se aproximou do NEU e com ele começou a aprender tudo sobre como desenvolver um modelo de negócios e criar uma startup, coisas que não havia em seu curso. No ano seguinte, o NEU conectou Gabriel com David Kato, Diretor do aplicativo de delivery de comida iFood. David também encontrou dificuldades parecidas ao procurar cuidadores para a sua mãe, que estava bastante doente, e viu que existia uma oportunidade nesse mercado. Desde então, os dois decidiram se juntar para fundar a Cuide.me, Gabriel dedicando-se integralmente ao negócio e David atuando como conselheiro e investidor.

Depois de muitos meses pesquisando o mercado, a Cuide.me chegou a um modelo muito mais vantajoso que as soluções existentes no mercado. “O cuidador recebe 12% acima do valor de mercado com a mesma jornada de trabalho. Com o uso de tecnologia conseguimos diminuir a carga de trabalho do cuidador, que não precisa fazer controles manuais ou fazer ligações para avisar que aplicou o medicamento. Já a família paga 80% a menos do preço praticado por agências tradicionais com um serviço de maior qualidade. Isso só é possível pelo uso intensivo de tecnologia e de boas práticas de gestão de saúde”, diz Gabriel sobre a empresa.

Hoje a startup já tem mais de R$50 mil em contratos fechados para 2016. Com esse dinheiro a empresa planeja aprimorar a tecnologia, oferecendo informações e relatórios em tempo real sobre o familiar e expandir rapidamente para outras cidades além de São Paulo.

 

StoryMax

 

A StoryMax publica livros digitais interativos para crianças e jovens. Sua história começou em 2012, quando Samira Almeida, pós-graduada em Educomunicação pela USP e com mais de 10 anos de experiência nas melhores casas editoriais do país, e Fernando Tangi, pós-graduado em Design Gráfico pelo Centro Universitário Senac-SP e com um histórico de 20 anos atuando como ilustrador e designer, publicaram o seu primeiro livro-aplicativo com a ideia de que aquilo seria o que as crianças e jovens de hoje iriam ler. O livro fez muito sucesso e com apenas um ano no mercado a StoryMax ganhou prêmios internacionais por conteúdo e tecnologia aplicada a educação e começou a vender seus produtos para o mundo inteiro.

Com todo esse potencial descoberto, os dois se deram conta de que a StoryMax era uma startup e começaram a participar de eventos como a Campus Party. Também entraram para um programa de aceleração, o Seed de Minas Gerais, onde receberam suporte em negócios, investimento de R$80 mil e conheceram o NEU. Durante o programa, construíram seu modelo de negócios, encontraram parceiros e cresceram suas vendas em 400%.

Hoje seus maiores clientes são escolas, principalmente norte-americanas, e estão firmando parcerias com instituições culturais como a alemã Goethe-Institut. Em 2015, receberam o Prêmio Jabuti, a principal premiação de literatura no Brasil, ao lado de Ziraldo e da Editora Ática. Samira e Fernando estão sempre ao lado do NEU, participando de nossos eventos e atividades de capacitação, trazendo conteúdo e experiência para os novos empreendedores que passam por lá.

 

99Táxis

 

99taxis-logo-novo-2014Ainda na faculdade, os amigos Renato Freitas e Ariel Lambrecht, ambos engenheiros mecatrônicos formados pela Escola Politécnica da USP (Renato em 2006 e Ariel em 2007), fundaram o Ebah, uma rede social de compartilhamento acadêmico. A ideia era resolver o problema dos estudantes, que ficavam desesperados na época de provas e tinham que lidar com um sistema de xerox ineficiente.

Famoso entre os alunos da POLI e de outras faculdades, o Ebah até hoje possui milhões de acessos e mais de 200.000 materiais publicados.

Em 2012, viram uma oportunidade no mercado de táxis e desenvolveram em um mês e meio os aplicativos para Android e IOS. No começo, enfrentaram muitos problemas: por exemplo, tiveram que ensinar taxistas a usarem smartphones, desde a realização da compra dos aparelhos até atender ligações.

Em 2013 houve o boom dos aplicativos de táxis e, para vencer a concorrência, focaram em desenvolver o melhor produto e entregar a melhor experiência tanto para o usuário quanto para o taxista. O 99Táxis era tão bom, que os próprios taxistas recomendavam para os usuários: ”A gente acabava até se beneficiando do investimento em publicidade dos nossos concorrentes, porque um passageiro pegava um táxi por meio de outro aplicativo e, quando ele entrava no carro, o motorista recomendava o 99Táxis pra ele”, conta Renato.

De acordo com o CrunchBase já foram levantados mais de 25 milhões de dólares em três rodadas de investimentos. Hoje lideram o mercado de aplicativos de táxis no Brasil e, segundo o NYTimes está prevista uma nova rodada de investimentos para manter a liderança do 99Táxis em relação ao Uber no mercado brasileiro.

Renato Freitas é apaixonado pela USP, tanto que possui um mapa da cidade universitária na entrada do escritório, e por isso está sempre colaborando com o NEU, participando dos nossos eventos, aulas e atividades de capacitação para empreendedores.



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