O grupo Poesia em trânsito espalha poemas por toda a parte em Salvador

Fernanda Tourinho | Edgardigital | 30 de setembro de 2016

20160928_111709-1 20160928_111350-1-1 20160928_111319-1-1Na sessão solene da Câmara Municipal de Salvador em homenagem aos 70 anos da UFBA, em 20 de setembro passado, logo depois da apresentação do Madrigal da Escola de Música da universidade e antes das falas previstas para a noite festiva, um grupo de jovens se apresentou declamando de cara e com veemência “O livro e a América”, de Castro Alves. Vieram depois alguns outros poemas de grandes criadores do passado, Gregório de Matos entre eles, e dos próprios declamadores ali presentes.

Estava em cena ali o coletivo “Poesia em Trânsito”. O grupo surgiu em 2012, formado por artistas de múltiplas linguagens que já tinham a experiência de intervenções em espaços diversos . “Percebemos a efervescência cultural e a possibilidade de integrar a arte em novos espaços, daí nos juntamos para formar o coletivo”, diz  Uri Menezes, 28 anos, poeta e produtor executivo do grupo, graduado em Cinema e Audiovisual pela UFBA.

Uri Menezes: a surpresa da apresentação causa um impacto que muda o dia da pessoa

Uri Menezes: a surpresa da apresentação causa um impacto que muda o dia da pessoa

O mote do coletivo é levar “a arte para toda parte” e fomentar a produção artística, chegando a lugares não convencionais, entrando no cotidiano das pessoas. O grupo atua em ônibus, metrô, praças, ferry boat, escolas e em espaços convencionais de arte. Em todos esses lugares, o retorno do público é de extrema importância para o espetáculo. “Você pega as pessoas de surpresa, elas não estão esperando por uma interpretação artística, e essa surpresa causa um impacto que muda o dia da pessoa”. Na última obra do coletivo, intitulado “Transe Poético”, há um espaço para a criação autoral, “para o poeta do dia-a-dia, do cobrador e do motorista”.

Com a experiência de integrar tantos espaços e pessoas diversas, o “Poesia em Trânsito” mistura autores clássicos, como Cecília Meireles e Carlos Drummond de Andrade, com poesias autorais, valorizando o local e sempre com o objetivo de atingir o máximo de pessoas possível. Os ouvintes identificam sua realidade vivida na cidade com a realidade retratada nos poemas, e as obras promovem uma reflexão, que provoca por sua vez, o coletivo acredita, a busca por um mundo melhor.

A parceria com espectador e o retorno do público nos transportes coletivos é muito forte. “Precisamos de muita dedicação e concentração porque você não sabe quem são as pessoas que estão ali e as pessoas não sabem quem você é. Tem que ser uma troca muito espontânea e uma relação muito sincera. Quando o poeta entra no ônibus, no meu caso, me entrego para fazer um recital honesto e sincero”, explica Uri. O grupo também valoriza o contato com os jovens e a possibilidade de fazer espetáculos em escolas, na base da educação, e estimular assim a percepção dos alunos não só para as artes, mas também para outras linguagens e outras questões.

O “Poesia em trânsito” também realiza atividades em conjunto com a UFBA. O movimento iniciou-se dentro da universidade, fazendo festas em São Lázaro, com alunos de cursos diversos, e a religação acontece com saraus na Biblioteca Central e um espetáculo dentro do Buzufba. “ A relação com a universidade é muito grande. A importância da universidade é muito grande em nossas vidas”, conta Luciana Estrela (42), poetiza, idealizadora do coletivo e formada em Museologia pela UFBA. Entre os estudantes da universidade no grupo estão ainda Jell Oliveira, de Artes Cênicas, e Juliana Pina, do bacharelado interdisciplinar (BI) em Artes.

“A arte surge dessa necessidade de você ser espelho da humanidade, mas também de interpretar o mundo de outra forma, sempre respeitando a diversidade.” O lugar de fala, a delicadeza com que assuntos importantes são tratados, também são preocupações do grupo ao realizar suas ações poéticas nas ruas de Salvador. Uri sintetiza o principal objetivo do “Poesia em Trânsito”: “É essa nossa meta: meter poesia.”



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