Moléculas versus doenças: malária e tuberculose na mira

Elisa Marconi | 07 de dezembro de 2017
PLOSPLasmodium chabaudi

Plasmodium chabaudi, causador da malária

A luta entre cientistas e doenças não tem fim. Cada descoberta é uma batalha. Dois desses embates foram noticiados recentemente. O primeiro aponta para a ação de uma molécula que ajuda no combate a infecção por Plasmodium, o parasita que causa a malária e que chega ao organismo humano através da picada do mosquito Anopheles.

O Plasmodium chega rápido ao fígado, se multiplica em pouco tempo e logo invade os glóbulos vermelhos do sangue, causando sua destruição. Quando a malária se instala, provoca febre e dores e causa a morte de 500 mil pessoas a cada ano. Ainda não existe vacina.

Por isso encontrar substâncias que combatam o parasita é tão importante. A Agência Fapesp noticiou em 01 de dezembro que é possível direcionar a resposta imune a partir de uma molécula chamada P2X7. É o que mostra uma pesquisa feita no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

A bióloga Érika Salles, primeira autora do estudo e pesquisadora do Departamento de Imunologia da USP, contou à Agência que “a molécula P2X7 tem o papel de informar o sistema imune sobre a necessidade de uma resposta robusta à ação do patógeno, que leve em conta não apenas a produção de anticorpos, mas também o direcionamento para a ativação de macrófagos”. Os testes até agora foram feitos com camundongos.

O trabalho  P2X7 receptor drives Th1 cell differentiation and controls the follicular helper T cell population to protect against Plasmodium chabaudi malaria foi publicado na revista PLOS Pathogens e pode ter impactos positivo no desenvolvimento de vacinas que garantam a resposta adequada do sistema imunológico contra a malária.

Tuberculose

Janice Haney Carr/ Sci-newsMycobacterium tuberculosis, causador da tuberculose

Mycobacterium tuberculosis, causador da tuberculose

Benzofuroxano 8, ou BZ 8, é o nome da nova molécula produzida por uma equipe da Unesp de Araraquara. Em artigo publicado na revista Journal of Medicinal Chemistry, os professores Fernando Pavan e Jean dos Santos, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, mostram a alta eficiência da molécula no combate à tuberculose em camundongos infectados com o bacilo Mycobacterium tuberculosis, que causa a doença.

A Unesp Agência de Notícias informou que o trabalho chegou ao Working Group on New TB Drugs, uma organização não governamental que, ao lado da STOP TB e a Organização Mundial da Saúde, promovem a aceleração de descobertas e desenvolvimento de novos tratamentos para a tuberculose, a doença infecciosa que mais mata no mundo, superando inclusive a AIDS.

O resultado é que a BZ 8 entrou no portfólio do grupo, junto com as principais moléculas em desenvolvimento no mundo todo. A pesquisa de Pavan e Santos é a única brasileira nesse seleto grupo.



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