Uma equipe da Universidade de Utah, nos EUA, em parceria com a Marinha americana, está desenvolvendo uma técnica inusitada para combater o contrabando, de acordo com reportagem publicada na Newscientist: atirar amoeba (também conhecida como “slime” ou geleca, para os mais antigos) de canhão contra barcos em fuga, impedindo seus propulsores de funcionar.

Atualmente, a Marinha interrompe a fuga desses barcos usando uma espécie de canhão para lançar uma corda plástica que fica presa nas hélices. No entanto, além do problema ambiental relacionado ao plástico nos oceanos, essa corda é difícil de desprender depois. A amoeba sintética, por sua vez, dissolveria sozinha após algum tempo.

A inspiração vem do peixe-bruxa, que lança um jato de amoeba para se proteger de predadores. A amoeba do peixe bruxa tem dois componentes: um muco grudento e proteínas filamentosas. Os filamentos de proteína garantem a resistência e a elasticidade, graças a um padrão repetitivo parecido com o das teias de aranha.

De acordo com Ali Miserez, da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, que estuda os peixes-bruxa, os pesquisadores americanos enfrentarão dois desafios: produzir as proteínas em quantidade suficiente e fazê-las se agregarem em filamentos. O líder da equipe de Utah, Justin Jones, sabe que não será fácil, “O diabo está nos detalhes, assim como com teias de aranha”, diz.