Hannah Wood/ Museu Nacional de História Natural dos EUA

O design arrojado e diferentão da aranha-pelicano de Madagascar

Aranhas estão em alta no noticiário. Para desespero de Rony Weasley, melhor amigo de Harry Potter e portador de aracnofobia – aquele medão desses animaizinhos de 8 patas -, elas estão nas manchetes científicas nos últimos dias.

Warner Bros Co

O grau do medo de Rony

Primeiro, por um motivo que remete justamente ao bruxo com cicatriz de raio na testa criado pela escritora J. K. Rowlling e a parceiros de fantasia. Cientistas do Instituto Butantan, em São Paulo, encontraram sete novas espécies de aranhas (Calma, Rony! Estão no Brasil, bem longe de Hogwarts) e batizaram cada uma delas com nomes que remetem à literatura fantástica.

Personagens de obras como Harry Potter, O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien, Game of Thrones, de George R. R. Martin e O Chamado de Cthulhu, de H.P. Lovecraft, foram homenageados.

As novas espécies pertencem ao gênero Ochyrocera e foram descritas em um estudo publicado no dia 10 de janeiro, na revista científica ZooKeys.

Os nomes científicos de sete novas espécies de aranhas descobertas por cientistas brasileiros homenageiam diferentes personagens “aracnídeos” de famosas obras ficcionais de fantasia como “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”.

Os pesquisadores Antonio Brescovit, Igor Cizauskas e Leandro Mota, todos do Instituto Butantan encontraram as bichinhas em cavernas do Pará. E nomearam as descobertas assim: Ochyrocera varys, que homenageia o personagem Varys, o aranha, de George R. R. Martin; a Ochyrocera atlachnacha se refere a Atlach-Nacha, a Deusa Aranha, de H.P. Lovecraft.

Igor Cizauskas

Ochyrocera atlachnacha, uma das aranhas subterrâneas do Pará

Tolkien foi homenageados por duas novas espécies. A Ochyrocera laracna, ligada a à aranha gigante Laracna; e a Ochyrocera ungoliant vem da mãe de Laracna, Ungoliant.

Para o terror de Rony, chegou a vez de Aragog, a aranha gigante que apavora seus pesadelos. A espécie Ochyrocera aragogue, claro, faz referência direta a ela.

Para fechar a lista, o trio de cientistas fãs de boas ficções foram aos livros infantis e homenagearam Os Amigos da Miss Spider, de David Kirk. De lá veio a inspiração para a Ochyrocera misspider. E a Ochyrocera charlotte homenageia A menina e o porquinho, de E. B. White.

As aranhas novas vivem no subterrâneo das cavernas – seria por isso que os pesquisadores tenham escolhido personagens sombrios para homenagear -, mas não apresentam as características típicas de quem vive no submundo, como a perda das cores do corpo e redução ou perda dos olhos.

Na verdade, esses aracnídeos são chamados de edáficas troglófilas, porque vivem no interior de cavernas, mas não lá no fundão e, como podem rastejar até a superfície, continuam exuberantes e coloridas.

isto é, que são capazes de completar seu ciclo de vida longe da luz solar, mas não vivem necessariamente nas partes mais profundas. Rastejando com frequências nas proximidades da superfície, essas aranhas podem ser encontradas até mesmo fora das cavernas.

Para descrever as setes espécies, Antonio Brescovit, Igor Cizauskas e Leandro Mota trabalharam por cinco anos e coletaram e analisaram mais de duas mil aranhas. Rony Weasley acaba de desmaiar. E eles acreditam que na região ainda tenha outras espécies para serem descobertas e classificadas. Balão de oxigênio para Rony. Obrigada!

E mais 18

Se ainda estiver vivo, o amigo de Harry Potter deve ter lido no mesmo periódico ZooKeys que a equipe de Hannah Wood, curadora de aracnídeos, centopeia e seus familiares, do Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos encontrou quase duas dezenas novas espécies de aranha-pelicano de Madagascar.

Esse aracnídeo parece desenhado por um desenhista atormentado. Tem oito pernas e um rosto que lembra um pelicano, na visão mais otimista, ou um pegador de salada, para olhares menos treinados.

Nikolaj Scharff

Outra aranha-pelicano em plena exibição

À boca miúda não é o look diferentão da aranha que mais se comenta por aí, mas sim seu apelido.  Jake Buehler escreveu assim para o site Gizmodo: “Mas não é o visual estranho da aranha-pelicano que a torna um ótimo personagem de histórias de terror, mas, sim, no que essa estranha criatura evoluiu. Aranhas-pelicano também são chamadas de “aranhas assassinas” porque sua dieta consiste inteiramente de outras aranhas, que elas lentamente vigiam e devoram. Essas exímias caçadoras abandonaram a ideia de teias por completo, em vez disso caçam pela floresta com seu par de finas e sensíveis pernas que mais se parecem com antenas”. Parece descrição dos vilões dos livros listados lá em cima, não? Mas é só a natureza em ação mesmo.

“Estava curiosa para entender porque essas estranhas aranhas possuíam essa aparência”, disse Wood ao Gizmodo, “e, além disso, porque existem tantas variações em sua forma física”. E foi pesquisando a aparência que ela chegou às novas espécies.

E lá foi ela para Madagascar, afinal suas escolhidas só são encontradas ali, na África do Sul e na Austrália. “A aranha-pelicano é ao mesmo tempo um “fóssil vivo” e um “Táxon Lazarus” (um organismo que mais parece ter sido ressuscitado da pré-história porque seus fósseis foram encontraram antes de suas formas vivas)”, informa o Gizmodo.