Na obra Paz entre nós, guerra aos senhores: Anarquistas em São Paulo diante à primeira guerra mundial, lançada pela Editora Prismas, o autor Kauan Willian dos Santos analisa a experiência anarquista no estado nos períodos da Primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa. Para coletar o material necessário, pesquisou em arquivos, como o CEDEM (Centro de Documentação e Memória da UNESP). Foram diversas fontes de informações entre as quais os periódicos Guerra Sociale e A Plebe, ambos de tendência anarquista.

Em seu estudo de mestrado, que resultou neste livro, Santos desvenda como os anarquistas se posicionaram diante de questões da política nacional e internacional, como construíram suas estratégias de ação política e sindical e travaram suas lutas. Quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial os anarquistas do Brasil sentiam-se parte de um movimento internacional em favor da paz. Em 1º de maio de 1915, a Comissão de Agitação contra a guerra, fundada por anarquistas, junto com a Confederação Operária Brasileira (COB), organizaram uma grande manifestação antibélica no Rio de Janeiro.

A oposição à guerra caracterizou o movimento anarquista em toda a América Latina, especialmente no Brasil, onde foi realizado o Congresso Internacional da Paz e o Congresso anarquista sul-americano. Em 1917, o movimento operário organizado e o movimento anarquista uniram à campanha contra a guerra outra de apoio à Revolução Russa. Neste ano foi fundado, em São Paulo, A Plebe, um dos jornais anarquistas mais importantes do Brasil.

Neste amplo contexto de lutas o autor analisa a Aliança Anarquista, o esforço de união das diferentes tendências anarquistas em São Paulo, e suas estratégias políticas e sindicais na conjuntura das grandes greves e manifestações que caracterizaram o período de 1917 a 1920 e São Paulo.

Sobre o pesquisador – Kauan Willian dos Santos é historiador, membro do grupo de pesquisa História, Memória e Patrimônio do Trabalho da Unifesp. É membro do Conselho Editorial do Instituto de Teoria e História Anarquista. No CEDEM, Santos pesquisou os jornais A Plebe e Guerra Sociale, as atas do Congresso Internacional da Paz, boletins da Escola Moderna, boletins do Terceiro Congresso Operário de São Paulo, correspondências de Astrojildo Pereira e acervos iconográfico de militantes anarquistas.

Sobre o tema leia também:

Greve Geral de 1917 lançou bases do sindicalismo contemporâneo
https://www.cedem.unesp.br/#!/noticia/216/greve-geral-de-1917-lancou-bases-do-sindicalismo-contemporaneo

Memórias de lutas pela paz mundial
https://www.cedem.unesp.br/#!/noticia/309/memorias-de-lutas-pela-paz-mundial/