Estudo investiga metais presentes em achocolatados

Pamela Gouveia | 29 de abril de 2016

b75cacf0-9d0c-11e4-afae-ed29346fbf71_78769411Todas as manhãs você acorda e já pensa em tomar aquele copão de leite com chocolate pra começar o dia?! Pode continuar tomando sua bebida predileta, isso porque um estudo da Unicamp analisou 34 marcas de achocolatados vendidos no Brasil para verificar a concentração de elementos metálicos e comprovou – para o alívio das crianças e jovens e também dos pais – que nenhuma das marcas tinha metais em excesso. Para ter certeza da segurança desses produtos, o teste também determinou a capacidade do organismo humano de absorvê-los.

Alimentos derivados de cacau podem conter manganês, ferro, magnésio, zinco e outros metais, que em doses adequadas contribuem para o bom funcionamento do organismo, mas em quantidade elevada podem ser bastante tóxicos. A novidade é que para chegar à conclusão da pesquisa, a autora, a química Rafaella Regina Alves Peixoto, usou células do intestino delgado humano cultivadas em laboratório, uma técnica nova e que pode ter muitas aplicações para a indústria de alimentos e farmacêutica e para agências reguladoras.

A pesquisa é resultado do doutorado de Rafaella, com orientação da também química e professora Solange Cadore. Um dos motivos que levou à investigação foram indícios já verificados pela professora Solange e seu grupo de pesquisa, além de estudiosos do exterior, de que o cacau contem metais que, em tese, poderiam ser acumulados no organismo. Outra motivação é o fato dos achocolatados serem consumidos principalmente pela população mais jovem.

Simulação

O trabalho utilizou um modelo intestinal criado a partir de células, mais precisamente uma linhagem celular chamada Caco-2, que deriva de células intestinais. Quando cultivadas em uma lâmina de vidro laboratorial, e em ambiente fechado e controlado, elas possuem a capacidade de formar um tecido com características que simulam a parede do intestino delgado humano. Os ensaios realizados com esse modelo mostraram que apenas uma parte do que é ingerido está disponível para ser usado pelo organismo.

“A função do sistema digestivo é justamente aproveitar os nutrientes ingeridos e excretar compostos tóxicos, e esses fatores não são considerados em estudos que avaliam somente a concentração total dos metais presentes nos alimentos”, afirma Rafaella. “Acreditamos que o diferencial de nossa pesquisa seja justamente esse, avaliar as frações bioacessíveis e biodisponivéis dos elementos, além das concentrações totais.”

Diferente de outro estudos sobre toxicidade, essa pesquisa optou por não empregar testes em cobaias porque as estudiosas avaliaram que o sistema digestivo de outros animais poderia se comportar de modo diferente do humano. Além disso, o método se mostrou mais simples e mais barato do que um estudo in vivo.

“Com as devidas adaptações, esse modelo pode ser aplicado a outros alimentos e para o análise de outros compostos, fornecendo dados sobre a digestibilidade e absorção de nutrientes”, explica Rafaella. Segundo a pesquisadora, esse tipo de informação será cada vez mais requisitada por organismos internacionais que regulam ou fazem recomendações sobre segurança e toxicidade alimentar, como o Codex Alimentarius, uma comissão que regula mundialmente os padrões da comida industrializada.

A pesquisa contou com a parceria do Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos de Valência, na Espanha. Atualmente, Rafaella Peixoto realiza pós-doutorado na Universidade de Oviedo, também na Espanha, sobre a especiação, fortificação com nanopartículas, biodisponibilidade e bioacessibilidade dos elementos presentes no leite materno.

 

 

 



Deixe uma resposta