Em sete anos, a África perdeu 30% de sua população de elefantes

Pamela Gouveia | 03 de setembro de 2016

elephant-111695_960_720Eles são os maiores mamíferos vivos em terra, normalmente muito dóceis e alvos constantes de caçadores de marfim. Uma pesquisa divulgada essa semana pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) revelou que a população de elefantes africanos enfrenta um drástico declínio, com diminuição de cerca de 30%, entre os anos 2007 e 2014.

É uma queda de 8% ao ano, de acordo com o levantamento feito pelo Great Elephant Census (GEC), financiado pelo empresário e co-fundador da Microsoft, Paul Allen. O estudo aponta a caça do marfim como um dos maiores responsáveis por dizimar as manadas de elefantes em toda a África.

“Essa prática não faz sentido em qualquer nível – moral, econômico ou político”, disse Ibrahim Thiaw, vice-diretor executivo do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas.

Durante dois anos, a partir de 2014, a equipe formada por 90 cientistas sobrevoaram 18 países do continente para determinar com precisão o número e a distribuição da grande maioria dos elefantes. Os pesquisadores usaram métodos padronizados de coleta de dados e validação que servirão como base para futuras pesquisas e análises.

No estudo foram encontrados cerca de 352 mil elefantes ao longo do caminho, mais da metade em Botswana e Zimbabwe. Além dos animais vivos, foram contabilizadas também as carcaças de elefantes na região, um número estimado de 12 para cada 100 elefantes vivos – índice elevadíssimo e que sugere o declínio da população no continente.

402412O estudo aponta que os elefantes-da-floresta, uma das espécies, estão passando pelos maiores níveis de caça na África, entre 10 e 18% de sua população é morta todos os anos. Outro dado assustador: 84% da população de elefantes pesquisada foi encontrada em áreas legalmente protegidas e, nessas áreas, foi encontrado uma grande quantidade de carcaças, indicando que os elefantes estão sendo caçados tanto dentro quanto fora dos parques.

A divulgação do estudo acontece um mês antes de uma reunião das Nações Unidas, em Joanesburgo. Na ocasião, lideranças do Zimbábue e da Namíbia devem fazer pressão pela permissão da venda do estoque dos marfins apreendidos de contrabandistas.

“Nós sabíamos que a situação era ruim, mas os resultados são piores do que o esperado”, disse David Banks, diretor do programa de conservação da natureza africana. “Vai levar décadas para essa população se recuperar”.

Em um esforço para reduzir a prática da caça furtiva, os Estados Unidos anunciou, recentemente, uma proibição quase total do comércio de marfim de elefante Africano.

A produtora americana Allen Vulcan Productions lançará dois filmes este ano para chamar atenção sobre tema. “O jogo do Marfim,” um documentário sobre o lado sombrio do comércio de marfim e “Naledi: conto de um bebê elefante”, que conta a história real de um elefante bebê, recém-nascido em um programa de reabilitação de Botswana.

 

 

 



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