Descoberto um réptil pré-histórico bizarro

Ciência na rua | 11 de maio de 2016

Uma criatura do tamanho de um crocodilo, com cabeça em forma de martelo, dentes por todo lado e que viveu há 242 milhões de anos é o mais antigo réptil marinho herbívoro já encontrado, de acordo com evidências reveladas pelo estudo de fósseis da espécie. Não é à toa que recebeu o nome de Atopodentatus, que significa “singularmente estranho e cheio de dentes”.

Os primeiros fósseis da criatura foram encontrados há alguns anos, mas duas novas ossadas localizadas na província chinesa de Yunnan pela cientista Chun Li, do Instituto de Paleontologia e Paleantropologia de Vertebrados, em Pequim, permitiram conhecer de forma inédita o crânio do animal e como o réptil se alimentava.

O cientista Nick Fraser, do Museu Nacional da Escócia, trabalhou nos fósseis e disse que eles parecem ter saído de um livro infantil, porque o réptil em questão é um “animal muito, muito bizarro”, diz ele.

Cientistas também acreditam que o animal usava sua cabeça em forma de martelo para comer plantas submarinas. Outra peculiaridade da criatura, uma vez que só alguns répteis marinhos, vivos ou extintos, são herbívoros.

“Acreditamos que ele raspava algas e coisas assim de rochas que estavam debaixo d’água. Répteis marinhos herbívoros são muitos raros – e esse é o mais antigo que conhecemos”, explicou Fraser.

WANG YU I IVPPModelo feito por cientistas mostra como seria a cabeça do animal

Modelo feito por cientistas mostra como seria a cabeça do animal

Dentes estranhos

A descoberta das novas ossadas publicada no periódico científico Science Advances mostra que, em vez de ter um focinho comprido como se pensava, esse réptil tinha uma mandíbula em formato de martelo com dentes por todas as bordas.

Fraser diz que o Atopodentatus ajuda compreender melhor o período em que houve uma extinção em massa no planeta, há 252 milhões de anos, já que ele viveu em uma época em que a Terra estava se recuperando da perda de 90% dos animais marinhos.

“A existência de um animal tão especializado como o Atopodentatus unicus mostra que a vida se recuperou e se diversificou mais rapidamente do que pensávamos”, afirma o cientista. “E é definitivamente um animal que ninguém pensava que tivesse existido. Olhe pra ele, é uma loucura!”

 

Fonte: matéria original de HELEN BRIGS, da BBC NEWS



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