Depois do caso de microcefalia nos EUA, novo alerta contra o zika vem da OPAS/OMS, preocupada com síndromes neurológicas associadas ao vírus

Ciência na rua | 19 de janeiro de 2016

O zika não está dando trégua: depois de registrado o primeiro caso de microcefalia associado ao vírus nos Estados Unidos, foi o aumento dos casos da síndrome de Guillain Barré, em paralelo às anomalias congênitas e outras manifestações autoimunes também ligados a ele que provocou novo alerta das autoridades de saúde nesta segunda.

Na verdade, já no domingo a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) juntamente com a Organização Mundial de Saúde tinham enviado uma atualização epidemiológica aos seus estados-membros. Quanto ao comunicado do governo americano à imprensa na sexta feira, 15, ele foi emitido pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A recomendação era para mulheres grávidas evitarem viajar aos países nos quais a epidemia de microcefalia chegou.

Desde o ano passado, 18 países e territórios confirmaram a circulação do zika: Brasil, Barbados, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Guiana Francesa, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, São Martinho, Suriname e Venezuela. Entre novembro do ano passado e este mês de janeiro, segundo a OPAS/OMS, a transmissão foi detectada em 14 novos países e territórios.

Na atualização epidemiológica a OPAS/OMS recomendaram aos estados-membros que estabeleçam e mantenham a capacidade de detectar e confirmar casos da doença, preparem os serviços de saúde para atender ao aumento da demandapor assistência especializada para síndromes neurológicas e reforcem o atendimento pré-natal. E, claro, continuem os esforços para reduzir a presença do mosquito tanto pelo controle desse vetor como via serviços de comunicação à população.

De acordo com a OPAS, no surto de zika da Polinésia francesa em 2013/2014, 74 pacientes tiveram síndromes neurológicas ou autoimunes após a infecçãoEm julho de 2015, na Bahia foram 76 pacientes com síndromes neurológicas, dos quais 42 (55%) classificados como síndrome de Guillain Barré. Em novembro, a Fiocruz de Pernambuco confirmou a síndrome nos exames sorológicos de sete pessoas. Em El Salvador, um aumento incomum elevou da média de 14 mensais para 46 casos da síndrome de 1º de dezembro a 6 de janeiro, Outros países estão sendo investigados.

Além dessa síndrome de nome francês, outras síndromes neurológicas podem ser provocadas pelo zika, como meningite, por exemplo.

Em relação ao primeiro bebê americano que nasceu, no Havaí, com microcefalia testes laboratoriais apontaram que a mãe foi infectada por zika provavelmente quando esteve no Brasil, em maio passado.

Mapa do vírus zika no mundo

Mapa do vírus zika no mundo. Fonte http://www.cdc.gov/

Em entrevista coletiva, Lyle Petersen, diretor da divisão de doenças infecciosas do CDC americano enfatizara que mulheres em qualquer estágio da gestação ou que pretendem engravidar em breve “devem considerar adiar a viagem” ou, em último caso, “conversar com médicos e seguir estritamente recomendações para evitar a picada do Aedes aegypti.”

De acordo com o site do CDC (http://www.cdc.gov/), as recomendações são idênticas às do Ministério de Saúde do Brasil, ou seja, usar repelentes seguros para grávidas, vestir manga longa e calça comprida, priorizar ambientes com ar condicionado (o Aedes aegypti não sobrevive a baixas temperaturas) e instalar telas mosquiteiras em portas e janelas.

Em entrevista na manhã do último sábado, o Ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou que o alerta do CDC é “prudente. A situação é grave, é gravíssima, de saúde pública e como tal tem que ser encarada”.

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