Cubos de gelo ensinam física para crianças

Pamela Gouveia | 22 de abril de 2016
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As Experiências de Saleb e Setra 
Fernando Knjinik
Editora SESI-SP
67 páginas
R$ 24,90

As aventuras e brincadeiras de dois cubos de gelo, ensinando como fazer experiências simples e testar hipóteses no dia a dia, foi o caminho encontrado pelo físico Fernando Knjinik, 55 anos, para despertar no público infantil o gosto pela física, do modo mais elementar possível: pela curiosidade.

Ao explorar o porquê do funcionamento das coisas, As experiências de Saleb e Setra estimula o leitor a se familiarizar com o método científico e a testar fenômenos da ciência, passando por conceitos como a flutuabilidade, o empuxo e o princípio de Arquimedes.

Os nomes dos dois cubos, Saleb e Setra, resultam de uma homenagem lúdica do autor ao Instituto de Belas Artes, onde estudou iniciação artística quando morava no Rio Grande do Sul: o primeiro corresponde à palavra “belas” escrita de trás para frente, e o segundo, a “artes”, submetida ao mesmo jogo. Essas personagens se aventuram por atividades triviais, como boiar em um copo d’água ou mudar de temperatura, sempre tentando entender o que ocorre com eles.

Lançado em abril, o livro cheio de cor e ilustrações é o primeiro título da coleção “Para gostar de ciências”, uma aposta do SESI para despertar o prazer de aprender de crianças e adolescentes do ensino fundamental, um público que, no olhar da instituição, mudou sua forma de absorver conhecimento. O selo já tem uma coleção anterior de paradidáticos semelhantes abrigada em “Para gostar de matemática”.

A aventura dos cubos de gelo começa ainda no congelador quando percebem a dificuldade em sair da forminha e já ali o leitor é convidado a pensar sobre os estados físicos da água e suas características. No decorrer da história, viajam pelo mundo, ainda movidos pela curiosidade sobre a água. De volta e já na escola, Saleb e Setra encontram um lugar onde podem fazer ainda mais perguntas e descobrir coisas novas todos os dias.

“A maioria das publicações retrata os passos da metodologia científica de maneira muito dogmática”, observa Fernando. “Mas a maneira mais significativa de se entender fenômenos físicos é tornando-os algo pessoal. Toda uma relação emocional se estabelece, e essa dificilmente será esquecida”, diz.

Com água, copos, massinha de modelar, bolinha de gude e outros materiais simples e acessíveis, a maioria das experiências propostas no livro pode ser feita pela criança com pouco ou nenhum auxílio dos adultos. O leitor acompanha todo o desenvolvimento do raciocínio de Saleb e Setra, as perguntas que os levam até os experimentos e as dificuldades no meio do caminho.

Cc9eQgOW0AEG7V3O grande incentivador dos experimentos dos cubos de gelo é o próprio professor da escola, sempre fazendo perguntas e forçando-os a pensar. “As crianças são curiosas por natureza, são experimentadoras natas. A escola é que às vezes cerceia essas atitudes”, enfatiza Fernando, lembrando sua infância e a dos filhos.

Bacharel e licenciado em Física, gaúcho de Porto Alegre, Fernando percebe seu interesse por ciências como uma
herança, algo muito mais ligado à família do que à escola. Filho de uma farmacêutica e de um médico, a opção por uma carreira científica aconteceu naturalmente.

O interesse mais estrito pela física e a escolha por essa disciplina teve o incentivo fundamental do acesso a uma literatura variada, brasileira e estrangeira, principalmente de coleções como “Conhecer” e “Os cientistas”. “Essa última vinha com um kit para experiências, que meu pai, com muito entusiasmo, realizava comigo”, conta.

Mestre em ensino de ciências pela Universidade de São Paulo (USP), o físico sempre escreveu materiais didáticos complementares para os alunos, mas o livro As experiências de Saleb e Setra é sua primeira produção para o público infantil. “Foi muito gratificante, graças também aos editores que me deram condições de desenvolver o trabalho e usar a criatividade”, diz. Dessa forma, ele já prepara o segundo volume da série.

 

 



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