Crowdfunding: todos por um projeto!

Denise Lourenço | 07 de janeiro de 2016

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Quem nunca pensou em criar algo super legal, mas deixou a ideia para lá depois de fazer uma continha básica e perceber que não tinha recursos para realizar aquele sonho, aquela invenção, aquele disco, aquele livro, aquele show?

Se você já se sentiu assim, precisa conhecer um movimento que surgiu há algum tempo e está se espalhando na internet, chamado financiamento coletivo, ou crowdfunding.

Sabe vaquinha? Quando a galera se reúne para ajudar um amigo a comprar alguma coisa que ele está precisando muito, mas não tem dinheiro para bancar? Então, parece vaquinha, mas é mais high tec.

O Laboratório de Estudos avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) dedicou um número inteirinho da sua revista mensal, a ComCiência, a esse assunto.

Na matéria escrita pelo jornalista Erik Nardini, você vai conhecer o projeto da Biblioteca de Kaciane Caroline Marques, garota de apenas 10 anos que criou em casa um espaço para empréstimo gratuito de livros.

Ela já leu mais de 500 volumes de sua biblioteca de 4 mil exemplares e decidiu abrir um crowdfunding para comprar mais livros para seu público cativo de pequenos leitores. Além disso, Kaciane precisa investir em computadores, impressora e contratação de um ajudante, afinal, até agora, ela cuida de toda a estrutura sozinha.

A mocinha ainda pretende financiar uma viagem para conhecer bibliotecas paulistanas. Estão em sua lista a biblioteca Monteiro Lobato, com vasto acervo de livros infanto-juvenis e a Sérgio Milliet, do Centro Cultural São Paulo, referência em ações de promoção de leitura.

Kaciane em sua biblioteca de 4 mil livros

Kaciane em sua biblioteca de 4 mil livros

O prazo para o financiamento da biblioteca de Kaciane já foi encerrado. Mas, se quiser conhecer essa figuraça, você pode encontrá-la no Facebook: https://www.facebook.com/Kaciane-Caroline-764259160350728/?ref=ts&fref=ts

Ao todo, a ComCiência traz cinco artigos e cinco reportagens para você entender profundamente todas as questões envolvidas no financiamento coletivo.

Ao ler os textos, você vai percebendo que se o “dono da ideia” se esforçar e planejar tudo direitinho pode levantar uma boa quantia de dinheiro e ainda, de quebra, conhecer um monte de gente.
O Ciência na rua montou um passo a passo para você investir pesado no seu planejamento de crowdfunding. Para conferir, é só dar uma clicadinha aqui: 25 passos para viabilizar grandes ideias.

De qualquer forma, para não errar a mão, é muito bom aprender com histórias que fracassam. A reportagem “Nem sempre dá certo! Os desafios das vaquinhas de internet”, do jornalista Tiago Alcântara, é leitura obrigatória na sua passagem pela revista ComCiência.

Ao contrário do que podemos pensar, essa matéria não está falando somente de pessoas que não conseguem levantar o volume de dinheiro que precisam.

Está falando, principalmente, de projetos que arrecadam mais do que a meta, mas cujos empreendedores não conseguem fazer nada ou fazem muito pouco com o dinheiro obtido. Isso é uma mancada fenomenal!

A plataforma internacional Kickstarter amarga a história clássica de um mega projeto que falhou na entrega – o relógio CST-01. Em 2013, ele arrecadou US$ 1,02 milhão (aproximadamente R$ 3,9 milhões) em uma campanha que pedia US$ 200 mil (cerca de R$ 764 mil).

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Foto de divulgação do protótipo do relógio CST-01 divulgada em 2013

Thiago Alcântara lembra que “as recompensas eram tentadoras. Por apenas US$ 99 (cerca de R$ 370) os colaboradores receberiam um modelo do relógio e o orgulho de terem tirado o projeto do papel. Além disso, a empresa por trás da campanha, a Central Standard Time, prometia edições especiais e um carregador sem fio para os doadores mais generosos”.

Mas, mesmo depois de levantar mais de cinco vezes o valor da grana mínima, a startup Central Standard Time enfrentou uma enxurrada de problemas com fornecedores, não fez o relógio e não devolveu o dinheiro para os quase 8 mil apoiadores. Feio, né? Horrível!

Outra história que quase virou caso de polícia foi a do jogo Mansion Lord. Depois de receber mais de US$ 30 mil (cerca de R$ 115 mil), os desenvolvedores da Golgom Games simplesmente desapareceram, sumiram, evaporaram, viraram fumaça. E, é claro, seus idealizadores ficaram completamente desmoralizados e ainda correm o risco de ser processados.

Para o linguista e poeta Carlos Vogt, diretor de Redação da revista ComCiência, “Independentemente do sucesso, ou do fracasso das campanhas, o fato é que crowdfunding é um fenômeno característico da contemporaneidade.”

Precisamos entender disso porque essa pode ser a diferença entre emplacar ou não emplacar uma ideia genial e mudar a vida, forever!

Vogt, poeta e linguista que é presidente na Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e coordenador do Labjor/Unicamp, lembra no editorial da ComCiência que a mobilização social para arrecadar dinheiro para uma causa importante é algo que acontece no mundo inteiro, há muito tempo.

O que muda agora, principalmente com a Internet, é que essas operações ficam mais comuns e mais acessíveis a todas as pessoas.

“O advento das novas tecnologias de informação e de comunicação ─ as TICs ─ permitirão, para além dos grandes programas envolvendo grandes instituições e grandes corporações, como é o caso, por exemplo, do Criança Esperança e do Teleton, mobilizações, cada vez mais comuns, entre cidadãos, através das redes sociais e de todas as formas de sociabilidade oferecidas pela internet”, comenta Vogt.

Tem também a resenha do livro A arte de pedir assinada pela jornalista Carolina Medeiros, em que a cantora Amanda Palmer conta como usou o Kickstarter para arrecadar dinheiro para sua banda, a The Grand Theft Orchestra.

Geralmente, todo mundo morre de vergonha de pedir, não é mesmo? Mas, após muito refletir sobre o tema, Palmer conclui: “Por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação? Pedir é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana”.

De acordo com Carolina, acompanhando a afirmação de Palmer, “não se trata de um manual sobre como pedir, e sim de uma provocação bem-vinda e urgente, que faz com que o leitor aprenda a superar seus medos e admita o valor de precisar de ajuda”. É isso aí!

Ela ressalta ainda que o livro de Palmer é de leitura fácil. A cantora faz questão de deixar os leitores bem à vontade, como se estivesse conversando com eles em um café, em um bar, no metrô.
Mas, em sua opinião, o livro poderia ser mais curtinho. Será essa também a sua impressão? Só lendo para saber. Então, vamos lá conseguir um exemplar para conhecer essa história.

Para terminar, a ComCiência traz uma entrevista esclarecedora com Diego Reeberg, um dos fundadores da Catarse, a maior plataforma de crowdfunding do Brasil. Veja essa entrevista aqui: Desvende os mitos do financiamento coletivo.

Diego dá várias dicas interessantes para quem quer abrir um financiamento coletivo. Por exemplo, ele afirma que “quem está propondo o projeto tem que ter muito brilho no olho e vontade de fazer o projeto acontecer.” É claro, se nem você acreditar em sua ideia, que vai acreditar?

Outra dica legal é que, segundo ele, “o plano de comunicação precisa estar muito bem estruturado desde a fase de planejamento até a execução e fechamento da campanha.”

E pode apostar que esse é um dos grandes segredos para o sucesso no crowdfunding. Precisa formatar tudo o que vai acontecer no período em que a campanha estiver no ar. Bons vídeos, bons textos, boas recompensas são fundamentais para atrair a atenção do público.

E, por fim, Diego lembra que é preciso ter contatos. Você pode, por exemplo, pedir ajuda da família e dos amigos para divulgar a sua ideia para o máximo de pessoas que conseguir.

Se você ainda não conhece a Revista ComCiência, corra lá para dar uma olhada: http://www.comciencia.br. Quem sabe você volta aqui para contar a sua história de sucesso para o Ciência na rua. Vamos adorar!


As eleitas

Para facilitar a sua vida, listamos as quatro principais plataformas de financiamento coletivo do Brasil.

Catarse: https://www.catarse.me
Kickante: http://www.kickante.com.br
Juntos.com.vc (Financiamento coletivo de projetos sociais): http://juntos.com.vc/pt/projects
Startando: https://www.startando.com.br

Mas, antes de começar não esqueça de dar uma passadinha no nosso guia: 25 passos para viabilizar grandes ideias.

 

 

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