Resultados de pesquisas realizadas pelo Projeto Corais da Bahia, recentemente publicadas, demonstram os impactos da invasão do coral-sol (Tubastraea tagusensis e T. coccinia) sobre as interações entre peixes recifais e espécies bentônicas nativas (aquelas que vivem fixas no subtrato, como algas e corais).

Ricardo Miranda | Ciência na Rua

O estudo, realizado em 2016 nos recifes da Baía de Todos os Santos, BA, foi recentemente publicado na revista científica Marine Environmental Research. Câmeras subquáticas foram utilizadas para filmar o comportamento de alimentação de peixes sobre algas e corais nativos em áreas com diferentes percentuais de cobertura do coral-sol. Não foi observada predação dos peixes nativos sobre o coral-sol e, nas áreas onde a abundância do invasor era alta (21%), os peixes tiveram uma redução no número de mordidas sobre espécies de algas e corais nativos.

Esse efeito da abundância do coral invasor ocorreu principalmente sobre o grupo trófico de peixes “herbívoros errantes” (peixes que se alimentam geralmente de algas e detritos do substrato) que inclui os peixes conhecidos popularmente como budiões ou peixe-papagaio, como a espécie Scarus zelindae e os barbeiros ou cirurgiões, como a espécie Acanthurus coeruleus.

A densidade dos peixes herbívoros errantes também foi menor nas áreas dominadas pelo coral-sol. Os autores comentam que as armas químicas (alcalóides) do coral-sol podem inibir a predação dos peixes, e as áreas dominadas por esse invasor podem estar sendo evitadas por peixes “durante a hora do almoço”. Como a atividade de alimentação dos peixes sobre o substrato contribui para o bom funcionamento dos processos do ecossistema, o efeito do coral-sol pode ter alterado a dinâmica e funções dos recifes de corais estudados.

Por fim, os autores sugerem que ações de manejo sejam implantadas para controlar novas introduções sobre as plataformas de petróleo (principal vetor de introdução) e controlar a abundância do coral-sol, mantendo a cobertura percentual no substrato abaixo do limiar de 21%. Para mais informações acesse: https://www.sciencedirect.com/…/S014111…
Este estudo foi financiado pela instituição Rufford Fundation.