por Michael Marshall, da NewScientist

Enguias expostas a baixas concentrações de cocaína na água se tornam hiperativas e sofrem danos musculares. Como resultado, podem ter dificuldades para completar sua migração. A descoberta reforça as crescentes evidências de que drogas na água doce podem ameaçar o ambiente, mesmo em níveis de concentração muito baixos.

Rios e outros corpos d’água frequentemente contêm pequenos níveis de drogas, tanto de uso medicinal quanto ilegais, como a cocaína. Essas substâncias químicas podem chegar à água que consumimos e há evidências de que afetam a vida selvagem.

Anna Capaldo e seus colegas, da Universidade de Nápoles Federico II, na Itália, estudaram enguias europeias (Anguilla anguilla). Eles haviam descoberto previamente que a cocaína se acumula na carne das enguias e que afeta sua pele e hormônios.

Enguias não gostam das drogas

A equipe manteve 150 enguias em tanques por 50 dias. Alguns dos tanques continham um pequeno nível de cocaína, apenas 20 nanogramas por litro, enquanto o resto tinha água da torneira. As enguias expostas a cocaína ficaram hiperativas, nadando notavelmente mais rápido do que as enguias do grupo de controle.

Após o fim do tratamento, as enguias foram mortas e dissecadas, Os pesquisadores descobriram que o músculo esquelético delas, que impulsiona o nado, estava danificado. A musculatura estava inchada e, em aguns casos, com as fibras partidas. Os danos persistiram mesmo depois de as enguias se recuperarem por 3 a 10 dias em água sem cocaína.

Enguias europeias estão criticamente ameaçadas de extinção, não se sabe exatamente por quê, mas há muitos fatores possíveis, desde superexploração a perda de habitat.

Capaldo destaca que elas fazem grandes migrações da Europa até o Mar de Sargaços, perto das Bahamas, para desovar. Enguias com músculo esquelético danificado podem não conseguir completar a viagem. Além disso, como a cocaína se acumula na carne, pessoas que comam enguias estarão consumindo níveis pequenos de cocaína, embora provavelmente não o bastante para causar algum efeito.

Clique aqui para ler o artigo original